Quanto a nova fábrica de cigarros da JTI vai render para Santa Cruz

Natany Borges, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – A inauguração de uma nova fábrica da JTI em Santa Cruz do Sul, no fim da manhã desta quarta-feira, 26, promete um aumento significativo na arrecadação de impostos para o município. Com previsão de produzir até 4 bilhões de cigarros por ano, o funcionamento da unidade gera expectativa extremamente positiva, já que o produto é um dos quatro mais tributados no Brasil: do valor de um cigarro, 80% equivale a impostos, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Cálculo feito pelo setor de arrecadação da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) a pedido da Gazeta do Sul indica que, se a fábrica operar em sua capacidade máxima, poderá agregar para Santa Cruz até R$ 8 milhões por ano somente em ICMS. Isso equivale a quase 10% dos R$ 88,7 milhões que a Prefeitura recebeu de ICMS no ano passado.

A conta foi feita pelo assessor tributário Milton Antônio Nattana tendo como base informações divulgadas pela Receita Federal em junho deste ano, em reportagem da Gazeta sobre o que Santa Cruz ganha com a nova fábrica da JTI. Na simulação, Nattana considerou o maço de cigarro vendido a R$ 5,75. Na prática, esses R$ 8 milhões a mais em ICMS significam mais dinheiro para obras e projetos no município. “Sem dúvidas, trata-se de uma instalação positiva e de muito impacto”, considera. A simulação da Famurs não levou em conta o retorno do que será arrecadado com IPI, por exemplo, tributo federal que também incide fortemente sobre o cigarro.

A nova fábrica começou a produzir em abril. Desde então, houve a instalação dos outros setores e agora está completamente operacional. O investimento é de R$ 80 milhões. “Temos uma participação no mercado ainda pequena, mas pretendemos exportar parte da nossa produção para países vizinhos”, ressaltou o diretor de Assuntos Corporativos da JTI, Flávio Goulart, em entrevista para a Rádio Gazeta. A tendência é de que, ao todo, cem vagas de trabalho sejam criadas na fábrica.

Fundada em 1999, a JTI tem sede na Suíça. A empresa nasceu a partir da compra, pela Japan Tobacco Inc., das operações internacionais da norte-americana R.J. Reynolds. No ano seguinte, passou a atuar no Brasil. A chegada ao Vale do Rio Pardo foi em 2009, quando adquiriu as antigas KBH&C Tabacos e Kannenberg & Cia. Ltda. Em 2010, as empresas foram unificadas.

SAIBA MAIS

Os cinco produtos mais tributados no País, conforme o IBPT

Cachaça: 81,87%

Casaco de pele: 81,86%

Vodca: 81,52%

Cigarro: 80,42%

Perfume importado: 78,99%

Por que o imposto do cigarro é tão alto?

Conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT),  o princípio do governo é taxar mais os produtos considerados não essenciais à população. É por isso que mercadorias com potencial de comprometer a saúde (cigarros e bebidas), artigos de luxo e itens supérfluos (como jogos eletrônicos e até asa-delta) têm mais impostos.

O impacto

Por ser um dos produtos mais tributados do Brasil, o cigarro representa uma importante fonte de arrecadação para o poder público. Um exemplo em Santa Cruz é a Philip Morris Brasil, líder absoluta em Valor Adicionado Fiscal no município, respondendo por 42%. Em 2017, a JTI foi a sétima maior empresa de Santa Cruz e tende a crescer a partir de agora, com a produção de cigarros. Apenas o governo federal arrecadou R$ 6,9 bilhões com cigarros no ano passado.

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