Em 9 anos, empresa já transformou 50 milhões de bitucas em massa de celulose

Por: Rodrigo Nascimento, enviado especial do Jornal Gazeta do Sul

Criada a partir da necessidade da destinação correta aos resíduos do cigarro, a Poiato Recicla, instalada em Votorantim, no interior de São Paulo, é pioneira na reciclagem das bitucas. O material deixa de ser um poluente ambiental, para tornar-se matéria prima para criação de artesanato, gerando renda e trabalho para entidades sociais.

Conforme o diretor comercial da empresa, Marcos Roubles Poiato, sete municípios já firmaram convênio de parceria com a usina. “São cidades da região de São Paulo, litoral e Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Atendemos também empresas de todo o Brasil.”

A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Brasília (UNB) e já permitiu a reciclagem, em nove anos, de 50 milhões de bitucas de cigarro. “Hoje somos a única empresa que faz este trabalho, que tem o objetivo de conscientizar o consumidor e gerar renda a partir de um produto que era um problema. Por meio da reciclagem e destinação do uso, criamos uma economia circular”, justifica.

Para o coordenador de projetos do Instituto Souza Cruz, Guilherme Mattoso, a reciclagem de bitucas vai ao encontro dos objetivos da companhia, que tem na sustentabilidade um dos pilares da gestão de sua operação ao redor do mundo. “Nós temos como um dos maiores valores a sustentabilidade. Por isso estamos empenhados na produção deste material que é nobre e ajuda na geração de recursos para a comunidade”, define Mattoso.

Coleta da Oktoberfest retornará para Santa Cruz do Sul
Durante os 12 dias da Oktoberfest 2019, a Souza Cruz recolheu 78.600 bitucas de cigarro, junto aos coletores espalhados pelo parque. Reciclado, este montante de bitucas resulta em 31,5 quilos de massa de celulose.

De acordo com o coordenador de projetos do Instituto Souza Cruz, este material pode gerar até 5 mil capas de blocos de anotação. No entanto, para ser usado como um novo produto, é preciso saber manipular a massa de celulose. “Achamos justo que esta arrecadação volte, de alguma forma, para o município. Assim nosso objetivo é criar oficinas para ensinar, quem tiver vontade de aprender, a usar o material”, destaca Mattoso.

A Poiato Recicla deverá ministrar o treinamento, que poderá render mais que uma oficina em Santa Cruz. “Com isso, a gente acredita que o impacto desta ação de reciclagem será ainda mais positivo, ao ensinar para a comunidade como utilizar esta massa resultante do processo de reciclagem”, antecipa o coordenador.

Assim, a Souza Cruz irá definir como fará o treinamento e quem serão as entidades que poderão ter acesso. Uma capa de bloco gasta, em média, o equivalente a oito bitucas de cigarro. Já flores de artesanato, compostas pela mesma massa, utilizam aproximadamente 70 bitucas para a confecção de uma flor.

Do cinzeiro à capa de caderno
A reciclagem da bituca é um processo industrial desenvolvido pela Foiato em parceria com a UNB. As bitucas coletadas são cozidas a 100°C durante cinco horas. Depois deste cozimento, a massa de celulose passa por três lavagens.

Para perder o formato de bituca, o material é triturado em um liquidificador e depois secado em bandejas. Quando está seco, é encaminhado para a entidade que trabalha com o artesanato.

Todo o custo de coleta, transporte e operação da usina é bancado pela prefeitura, ou empresa parceria, contratante da Poiato Recicla. A entidade que recebe a massa de celulose não paga pelo produto que é transformado em capas de blocos, cadernos e flores.

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