Safra 2014/15 é considerada de boa qualidade pela Afubra

Santa Cruz do Sul/RS – Com aproximadamente 67% da safra 2014/2015 colhida nos três estados do Sul, a qualidade do tabaco é considerada satisfatória pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Apesar das constantes chuvas os dias são quentes, o que mantém a umidade equilibrada nas lavouras.

Segundo o gerente técnico da entidade, Iraldo Backes, em anos anteriores o calor também era intenso, mas não chovia, o que causava a desidratação das últimas folhas. “Felizmente não temos grandes perdas. De maneira geral, o tabaco é superior ao ano passado.” Sem muito tabaco do tipo “R” nas propriedades, a maioria dos produtores da variedade Virgínia está satisfeita. “Temos um fumo com cores mais claras, alaranjadas, que remuneram melhor na hora da comercialização”, esclarece.

Com base nas notas de venda a que a Afubra teve acesso, Backes reitera que a média de preço pago pela indústria gira em torno de R$ 130,00 a arroba – valor considerado satisfatório pelos fumicultores. “Pelo que sabemos, estão sendo vendidas principalmente folhas das posições C e B, do meio pé e alto meio pé.” Até o momento, o percentual de tabaco Virgínia vendido não atinge 5%, segundo projeções da Afubra. Também de acordo com balanço da associação, a taxa da colheita no Rio Grande do Sul alcança 70%.

Na microrregião de Santa Cruz do Sul, o trabalho chega a 87%, incluindo a região serrana (80%) e a parte baixa do Vale do Rio Pardo (95%), onde restam poucas lavouras a ser colhidas. A expectativa é que o trabalho no campo siga até o dia 20 de fevereiro, com exceção de algumas áreas cultivadas de maneira escalonada, onde a colheita pode se estender até março. “Estima-se produzir 288.570 toneladas de Virgínia no Estado.”

PRIMEIRA SAFRA

O casal Claudiomiro Godoys e Marcilei Furtado vive a primeira safra na nova atividade. Depois de dedicar boa parte de suas vidas a colher tabaco para outros produtores, eles resolveram investir no segmento por conta própria. Abandonaram os empregos de safreira e pintor e se mudaram do meio urbano de Vera Cruz para uma propriedade arrendada em Linha Henrique D’Ávila. A colheita dos 22 mil pés foi encerrada em dezembro com grande expectativa.

No entanto, apesar da qualidade das folhas retiradas da lavoura, a experiência inicial de venda não foi animadora. Na semana passada, Godoys e Marcilei levaram o carregamento de tabaco de volta para o galpão, após discordarem das classes oferecidas pela indústria. “Levamos só fumo BO1 e CO1, mas infelizmente rebaixaram muito nosso produto”, lamenta o produtor. Sem empresa integrada, a intenção é conseguir remuneração melhor em uma nova tentativa de venda nos próximos dias, principalmente para custear os investimentos feitos no negócio.

BURLEY

O gerente técnico da Afubra, Iraldo Backes, lembra que há aproximadamente 15 dias a alta umidade relativa do ar causou alguns prejuízos aos produtores de Burley, cuja cura é feita em temperatura ambiente, com os pés pendurados em galpões. No entanto, ressalta que o clima voltou a favorecer a atividade desde a semana passada. Atualmente os municípios de Arroio do Tigre e Salto do Jacuí, na região Centro-Serra, são os maiores produtores desse tipo de fumo na região.

Para o Rio Grande do Sul, a produção estimada para a atual safra é de 43.460 toneladas. No Sul do País, a projeção é de 700 mil toneladas, em 308.260 hectares cultivados. A comercialização do Burley normalmente se inicia somente em fevereiro, visto que o processo de cura é mais demorado por ocorrer de forma natural.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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