COLHEITA DE FUMO TEM PERSPECTIVA DE QUEBRA EM ARROIO DO TIGRE

Arroio do Tigre/RS – A colheita de tabaco da safra 2015/16 teve início com perspectivas de quebra em Arroio do Tigre. Os temporais e o granizo que atingiram o município recentemente já trazem resultados negativos. Na propriedade de Carlos da Silva, 39 anos, em Linha Paleta, as primeiras folhas foram colhidas na tarde de quarta-feira. Ele, a esposa Loneci e a cunhada Irani, além de diaristas, efetuaram a coleta das folhas baixeiras em 20 mil pés da variedade Virgínia. “Desta lavoura, que estava mais adiantada e que foi atingida pelo granizo, vou ter um prejuízo de 50%”, afirma Carlos. No restante as perdas são de 20%. Ao todo, nesta safra, ele plantou 80 mil pés de Virgínia em quatro hectares.

A expectativa quanto à venda é boa na propriedade da família Silva. “Acredito que com os estragos em todo o Rio Grande do Sul vai faltar produto. Com isso, penso que o preço será bom. Já a produção é péssima. Como foi um ano chuvoso a produção é ruim”, diz Carlos. O agricultor espera colher em torno de 800 arrobas.

O produtor possui uma estufa Loose Leaf (LL) para a cura do tabaco com ar forçado. O sistema é considerado mais prático e agiliza o trabalho no galpão, ou seja, reduz a mão de obra. “Uma pessoa dá conta e consegue colocar todo o fumo na estufa para secagem. É mais rápido”, explica. O tabaco, em folhas soltas, é colocado em dois estaleiros com grades. “O processo é mais seguro, rápido e confortável. A colheita pode ser levada direto para a cura e depois ao paiol. Elimina-se o uso de tecedeiras e barbantes”, conta.

Na propriedade são cultivados ainda oito hectares de soja, um e meio hectare de milho, além dos produtos de subsistência. No município, segundo a Emater/RS-Ascar, foram plantados 6.650 hectares de tabaco. A quebra está calculada em 7,6%. Porém, algumas sofreram prejuízos maiores. Levantamento semanal da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) até o dia 31 de outubro aponta que na microrregião de Sobradinho houve até agora a colheita de 2% da safra. No entanto, ainda há áreas onde os produtores ainda não fizeram o transplante e o plantio atinge até o momento 92% das lavouras. Por isso, o gerente de pesquisa e estatística da Afubra, Paulo Vicente Ogliari, afirma que é cedo para prever as perdas, pois o impacto muitas vezes é localizado e não influencia muito em termos gerais.

Carlos (de azul): prejuízo nas lavouras mais adiantadas chegará a 50%

Carlos (de azul): prejuízo nas lavouras mais adiantadas chegará a 50% (foto: Magali Drachler)

O plantio na região Centro-Serra geralmente ocorre mais tarde em relação às áreas mais baixas do Vale do Rio Pardo. Ogliari explica que o percentual das perdas apenas é possível verificar ao final da safra, pois varia a cada localidade diante da influência da época de plantio, quantidade de chuvas e incidência de granizo. Como exemplo, observa que em Candelária já houve a colheita de 18% da safra e nesta área o impacto de uma chuva de granizo nesta época é maior, pois não há mais condições das plantas atingidas criarem novas folhas, ao contrário de regiões onde o plantio ocorreu mais tarde.

SUL DO BRASIL

A colheita de tabaco nos três estados da região Sul até sábado passado alcançou 7% da previsão da safra. O trabalho está mais adiantado no Litoral de Santa Catarina, onde quase metade da produção já foi recolhida das lavouras. A projeção inicial da Afubra para esta safra indica o plantio de 278.910 hectares, enquanto no ano passado a área atingiu 308 mil hectares. O gerente de pesquisa e estatística da Afubra, Paulo Vicente Ogliari, afirma que esta redução era esperada e até recomendada como forma de obter maior valorização para a colheita. Além disso, a orientação é que os produtores busquem usar cada vez mais mão de obra exclusivamente da família para ter custo de produção menor e evitar os problemas com contratações diante das exigências legais.

Magali Drachler – magali@gazetadaserra.com.br
Otto Tesche – otto@gazetadosul.com.br
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