Chuva beneficia lavouras de tabaco

Vale do Rio Pardo/RS – A chuva ocorrida na quarta e quinta-feira da semana passada foi muito bem recebida pelos produtores de tabaco que precisavam fazer o transplante de mudas para a lavoura. O princípio de estiagem preocupava porque os agricultores estavam com as plantas praticamente passando da época e já tinham podado várias vezes, mas não tinham como transplantar porque não havia a umidade necessária no solo, conforme o gerente técnico da Afubra, Paulo Vicente Ogliari. “Eles estavam rezando que chovesse”, observou. O gerente acredita que as precipitações ocorridas nos últimos dias vão amenizar a situação.

As chuvas foram benéficas, pois ocorreram no volume desejado. Na região de Santa Cruz do Sul não houve excesso e nem queda de granizo. “Não se perdeu nenhum pingo de chuva. Toda ela foi absorvida. Foi uma precipitação ‘calma’, que não lavou a lavoura. Apenas molhou. Umedeceu o suficiente para transplantar e ajudar no desenvolvimento das plantas”, salientou o gerente. Conforme Ogliari, o vento estava tirando a umidade da terra e não havia chuva para recolocá-la. Agora, ele acredita que a situação do tabaco da safra 2016/2017 vai melhorar. “Dentro de uma semana a visão que se vai ter das lavouras será outra.”

No Baixo Vale do Rio Pardo, o plantio já estava concluído. Já na região mais serrana, como Boqueirão do Leão, Barros Cassal e Sinimbu, os agricultores ainda não tinham feito o transplante, mas estavam com as mudas prontas, aguardando umidade. No noroeste do Estado houve queda de granizo e a Afubra recebeu comunicado de 500 atingidos. Em algumas propriedades que estavam com tabaco mais desenvolvido, segundo Ogliari, as pedras de gelo causaram bastante prejuízo. Em Santa Catarina, houve 100 atingidos, na divisa com o Rio Grande do Sul, próximo ao Rio Uruguai. Esses estão inclusos nos 500 registros da Afubra.

Além do problema causado pelo período sem chuva, agricultores que plantaram tabaco cedo, preocupados com o La Niña, enfrentam o retardamento do crescimento, porque o frio provocou a estagnação. No entanto, se a temperatura aumentar e não esfriar mais até novembro, as plantas devem pegar melhor a adubação a partir de agora. “Por enquanto, é cedo para falar em quebra.” Até sábado, 80% do trabalho de transplante foi concluído nos três estados do Sul do Brasil. Alguns produtores começaram a colher, mas são poucos.

Cresce o consumo do cigarro ilegal

O presidente da Afubra, Benício Werner, e o secretário da associação, Romeu Schneider, participaram em setembro da 31ª assembleia anual da Associação Internacional de Produtores de Tabaco. A reunião ocorreu em Nova Déli, na Índia, onde acontecerá a 7ª Conferência das Partes (COP 7) da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), em novembro. Conforme Werner, um dos assuntos abordados no evento foi o consumo mundial de cigarros e a produção de tabaco, ficando evidenciado que, enquanto cresce o mercado ilegal, o consumo do cigarro legal cai.

“E não é só no Brasil que isso está acontecendo, mas também em outros países”, observou o presidente da Afubra, acrescentando que a diferença de preços do produto regulado para o irregular é grande também nos outros países. O assunto preocupa a todos, segundo Werner, tanto que está na agenda provisória da COP 7 para ser discutido. “Vamos ver o que a COP vai fazer para minimizar a questão do contrabando e da sonegação do cigarro em todos os países”, frisou. Textos: Jornal Gazeta do Sul desta segunda-feira, dia 10 de outubro.

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