Usos alternativos apoiam produção do tabaco

Texto: Maria Helena Lersch, do Jornal Gazeta do Sul, que viajou a convite da Philip Morris Brasil.

São Paulo/SP – Mesmo diante da pressão antitabagista de órgãos voltados à promoção da saúde, um futuro promissor se apresenta à fumicultura. E a Medicina é, justamente, uma das áreas que abre novas portas ao produto, hoje carro-chefe da economia do Vale do Rio Pardo. Há cerca de dois anos, a empresa israelense Collplant Holdings utilizou o tabaco para produção de colágeno – proteína empregada na reparação de tecidos. Até então, as fontes eram porcos, vacas e cadáveres humanos. A planta também já teria sido aproveitada como substituto ósseo e tem aparecido como uma alternativa para outros tratamentos.

Dentre as experiências que obtiveram sucesso tendo como base as folhas do tabaco está o desenvolvimento de uma vacina contra o ebola. “Foi buscando o desenvolvimento de vacinas para evitar doenças relacionadas à planta do tabaco que se desenvolveu um tratamento contra o vírus”, conta o coordenador de Comunicação Científica e porta-voz do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Philip Morris International, Nveed Chaudhary. Embora a continuidade da produção de tabaco pareça estar ameaçada em razão de constantes restrições ao setor, o cientista garante prosperidade. “O produtor de tabaco pode ficar sossegado porque a fumicultura vai continuar existindo.”

Fora o uso alternativo, o tabaco ainda se apresenta como a principal fonte de nicotina. Por isso, a fumicultura não deve ser prejudicada. “Sempre haverá necessidade de nicotina, seja nos cigarros eletrônicos, seja nos produtos de cigarro aquecido. É possível sintetizar a nicotina, contudo, é um processo custoso, caro e difícil. Faz mais sentido comercial que se persista na extração da nicotina a partir da folha de tabaco”, afirma Chaudhary.

O cientista esteve em São Paulo para participar do fórum Mudança de Hábitos e Redução de Danos à Saúde, realizado quarta-feira no Unibes Cultural, com o patrocínio da PMIScience, programa de pesquisa e desenvolvimento da Philip Morris Internacional (PMI). Na ocasião, abordou a introdução de produtos alternativos no mercado, como o IQOS, lançado há três anos no Japão e que tem como diferencial eliminar a combustão do tabaco, reduzindo assim a produção de substâncias nocivas à saúde.

Fórum debate ações de redução de danos
A redução de danos na perspectiva das novas tecnologias no consumo do tabaco e no uso consciente das bebidas alcoólicas foi o tema debatido no fórum em São Paulo. Especialistas abordaram as medidas que estão sendo tomadas nos dois segmentos. O evento foi aberto pelo presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o psiquiatra Arthur Guerra. O debate foi dividido em duas mesas. Na primeira, Nveed Chaudhary, junto do diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, Paulo Saldiva, e da professora de toxicologia da Faculdade Oswaldo Cruz, Alice Chasin, discutiram sobre a cultura tabagista e os produtos menos prejudiciais.

Na segunda etapa, participaram o coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Junior; a coordenadora de orientação educacional do Colégio Anchieta, Isabel Tremarin; e o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Rubens Adorno. Eles falaram sobre o consumo de bebidas alcoólicas e as consequências e possíveis meios para diminuir o impacto na saúde pública. De acordo com Quirino, por enquanto o Brasil trabalha apenas com a assistência a pessoas com problemas relacionados ao alcoolismo. Ele acredita que o maior controle sobre locais que vendem bebidas e o aumento da taxação do produto podem ser alternativas para reduzir o impacto na saúde pública.

SAIBA MAIS
* O tabaco é processado especificamente para o IQOS, sendo triturado e depois reconstituído em folha e compactado.
* O produto consiste em um aparelho do tamanho e formato de uma caneta, que precisa ser carregado na luz para a utilização. Uma carga possibilita o consumo de até 20 tubos de tabaco (heets).
* Cada consumo dura em torno de seis minutos ou 14 tragadas, o mesmo aproveitamento de um cigarro convencional. Ao final, o processo não produz cinzas.
* Pesquisas apontam que a principal causa de doenças de pulmão está relacionada à queima do tabaco, a qual produz uma fumaça com cerca de 6,5 mil produtos químicos.
* O IQOS também é menos prejudicial a fumantes passivos, pois, segundo o cientista da PMI, o aerosol liberado durante o consumo é composto por 97% de água e 0,4% de nicotina. Além disso, o aerosol se espalha no ar muito mais rápido que a fumaça, ficando menos tempo disponível para a inalação.Atualmente, a Philip Morris Internacional trabalha com quatro produtos sem fumaça, sendo que dois usam diferentes inovações para aquecer o tabaco (sem a combustão) e dois o e-vapor, que não contêm tabaco. São baseados em tecnologias diferentes. Por enquanto, nenhum deles é oferecido no Brasil.

Cientista quer produtos menos prejudiciais

Nveed Chaudhary é diretor de Comunicação Científica da unidade de pesquisa da Philip Morris na Suíça. Formado em Farmacologia pela Universidade de Londres, fez doutorado sobre câncer de pulmão, com foco na Doença Pulmonar Obstrutiva e Crônica (DPOC), que muitas vezes está associada ao hábito do tabagismo. Na Alemanha, foi chefe de pesquisa de fármacos para tratar a DPOC e a fibrose pulmonar. Segundo ele, enquanto examinava os medicamentos, constatou que não havia um que, de fato, tratasse a DPOC – todos focavam apenas na melhora de sintomas, sem tratar a causa da enfermidade. Assim, acabou migrando para a indústria de tabaco e hoje trabalha com o objetivo de desenvolver produtos menos prejudiciais à saúde. n

IQOS: futuro sem fumaça
O IQOS consiste em aquecer um tubo de tabaco, chamado de heets, à temperatura máxima de 350 graus, em vez de queimá-lo, como ocorre com o cigarro tradicional. O aquecimento gera um aerosol com níveis mais baixos de substâncias nocivas à saúde em comparação com a fumaça. De acordo com o diretor de Assuntos Corporativos da Philip Morris Brasil, Fernando Vieira, o produto seria uma alternativa para adultos fumantes que não têm a intenção ou não conseguem parar de fumar. O IQOS busca despertar as mesmas sensações aos tradicionais fumantes a fim de viabilizar a substituição a esse público. A invenção já foi abordada em reportagem da Gazeta do Sul em julho.

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