Uma aposta na integração

Expedição Os Caminhos do Tabaco – Contrabando

Por: Pedro Garcia, jornalista, e Alencar da Rosa, fotógrafo

Foz do Iguaçu/PR – É na integração entre as diferentes forças de repressão que o governo federal aposta para conter os crimes transfronteiriços, como o contrabando de cigarros. Inaugurado há pouco mais de dois meses, o primeiro Centro Integrado de Operações de Fronteira (Ciof) do País, em Foz do Iguaçu (PR), promete ser um instrumento importante para combater o crescente comércio ilegal no setor de tabaco.

Idealizado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, o Ciof é inspirado nos fusion centers, criados nos Estados Unidos após o ataque às Torres Gêmeas em setembro de 2001. À época, o governo norte-americano concluiu que, embora dispusesse de um grande número de agências voltadas ao combate ao terrorismo, elas pouco conversavam entre si. Então, decidiu colocá-las para dividir o mesmo espaço físico.

Instalado em um prédio dentro do complexo de Itaipu, o Ciof permitiu que passassem a trabalhar lado a lado agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Receita Federal e a Secretaria de Operações Integradas (Seopi). “Hoje já há uma boa integração. Mas o contato ainda é um pouco distante. Não trabalhamos sentando na mesma mesa. O Ciof veio para colocar as instituições para trabalhar juntas, no mesmo local”, explica o delegado da PF Emerson Rodrigues, que coordena o centro.

Conforme Rodrigues, o principal ganho com esse modelo está no compartilhamento de informações. Embora tenham atribuições em comum, cada instituição possui sua própria base de dados à qual apenas os seus servidores têm acesso. Todas essas bases estão hoje acessíveis simultaneamente junto ao Ciof e podem municiar ações de repressão. Exemplo: se a PF está investigando um grupo que atua no contrabando de cigarros, pode acionar o Ciof, que consultará as informações de todas as instituições instaladas ali.

A ideia é que o Ciof também trabalhe na concepção de operações conjuntas – embora, até o momento, nenhuma tenha sido colocada em prática – bem como em ações de cooperação internacional e de inteligência. O plano do Ministério da Justiça é implantar outros centros em regiões estratégicas. Foz do Iguaçu foi escolhida para o projeto-piloto por causa de sua relevância: está situada em uma tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), mantém um fluxo expressivo de pessoas e historicamente registra a ocorrência de diversos crimes, como tráfico de drogas, tráfico de armas e contrabando.

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