Um dia agitado na abertura da COP 6 em Moscou

Moscou, Rússia – O primeiro dia de realização da COP 6, a Conferência das Partes que reúne os países signatários da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, ontem, em Moscou, foi marcado por tratamentos opostos para os representantes brasileiros da cadeia produtiva presentes ao ambiente das discussões sediadas na capital da Rússia.

Pela manhã, imediatamente após a cerimônia de abertura, às 10 horas, conduzida pelo presidente da edição, o coreano Moon Chang-jin, proposta apresentada pela delegação da Austrália na primeira plenária resultou na decisão de excluir do ambiente de debates o público em geral, cerca de 50 pessoas que haviam solicitado credenciamento.

Entre os afetados pela medida estavam lideranças dos produtores e autoridades políticas do Sul do Brasil, que também haviam obtido acesso à área. Revoltada e indignada com o tratamento, a comitiva pleiteou reunião com o embaixador brasileiro na Rússia, Antônio Jose Vallim Guerreiro, que efetivamente recebeu o grupo e ouviu suas ponderações ao final da tarde, em reunião que durou meia hora.

A COP 6, como seria de esperar, iniciou-se com enfáticas manifestações dos seus coordenadores, todos vinculados à área da saúde, uma vez que o encontro é promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro de sua política de restrições e de combate ao cigarro.

Em lugar do presidente Vladimir Putin, cuja presença na abertura havia sido previamente anunciada (o dirigente segue envolvido em agenda diplomática associada ao conflito com a Ucrânia), compareceu ao ato inaugural a ministra da Saúde da Rússia, Veronika Skvortsova. Ela relatou uma série de iniciativas que o próprio governo russo adotou nos últimos anos em restrição ao consumo de cigarros, e os demais depoimentos seguiram na linha do extremo rigor sob esse aspecto.

SEM PÚBLICO

A agenda da manhã recém havia começado a ser discutida quando a Austrália sugeriu a retirada do público, que ouvia as manifestações das diferentes delegações (estão presentes cerca de 140 das mais de 170 nações que ratificaram adesão à Convenção-Quadro). A alegação era de que entre essas pessoas poderiam estar “ouvintes” ou “espiões” da indústria cigarreira, interessados em saber dos encaminhamentos da pauta.

A representação do Brasil chegara a sugerir que o tema deveria ser analisado mais profundamente, considerando, se fosse o caso, adoção em edições futuras da COP, e não em pleno andamento dessa edição. Após quase uma hora de bate-boca, pró e contra a permanência do público, o presidente Chang-jin ordenou a retirada do recinto.

Sob protestos, e expressando indignação, o grupo se encaminhou para fora do plenário, enquanto os trabalhos foram interrompidos. Seguiram acompanhando as atividades as delegações oficiais, os representantes de organismos governamentais e não governamentais, e alguns profissionais da imprensa.

Romar Beling/enviado especial
romar@editoragazeta.com.br
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