Setor do tabaco se prepara para a COP 7

Texto: Maria Helena Lersch (maria@gazetadosul.com.br), publicado no Jornal Gazeta do Sul do último final de semana.

A cerca de um mês do início da 7ª Conferência das Partes, representantes do setor do tabaco na região já se preparam para defender a cadeia do produto, que é o carro-chefe da economia do Vale do Rio Pardo. Neste ano, o encontro será realizado na Índia, entre os dias 7 e 12 de novembro. No entanto, antes disso, autoridades ligadas ao mercado fumageiro serão recebidas em Brasília. Elas se manifestarão quanto à pauta da delegação do governo brasileiro que será defendida no encontro internacional.

O seminário aberto, promovido pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro (Conicq), será realizado no próximo dia 10, entre as 9h30 e 12h30, na sede da Organização Panamericana da Saúde. A Afubra, o Sinditabaco e a Câmara Setorial do Tabaco estarão representados por seus presidentes Benício Albano Werner, Iro Schünke e Airton Artus, respectivamente. Cada entidade levará suas preocupações e posicionamentos ao encontro, conforme a agenda da COP 7.

Segundo Werner, em uma audiência há mais de um mês, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo tem interesse em defender o setor fumageiro. Salientou que o posicionamento brasileiro será baseado nas considerações do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que conheceu a produção de tabaco na visita que fez ao Vale do Rio Pardo, em julho último. Na ocasião, Maggi teve a oportunidade de constatar a dimensão da cadeia e o que ela representa economicamente para a região.

Ainda antes da COP 7, Werner tentará uma nova audiência com Padilha para levar as preocupações da Afubra. Para ele, a tendência é de que o ministro da Casa Civil seja receptivo aos apontamentos em razão da visita de Maggi. “O meu otimismo para a COP 7 depende do resultado da reunião com Padilha”, comentou.

Expectativa pela posição do governo
O presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, disse que espera esclarecimentos por parte do governo, durante o seminário, sobre qual será o posicionamento do Brasil na COP 7. Airton Artus reiterou que Eliseu Padilha já havia manifestado apoio ao setor. “O Conicq nunca abriu o trabalho. O seminário será uma oportunidade para colocarmos a nossa posição”, comemorou. “Espero que o apoio de Padilha e Maggi reflita nas posições que serão tomadas pelo governo durante a COP 7”, ressaltou Schünke.

AS PREOCUPAÇÕES DAS ENTIDADES
Afubra
Fará apontamentos sobre três artigos em discussão: 5.3, que impede que envolvidos com a cadeia produtiva do tabaco participem da Conferência das Partes; 17, sobre o incentivo à diversificação; e 18, que trata sobre a proteção ao meio ambiente e à saúde das pessoas. “Queremos sugerir um convênio com o governo que possibilite levar diversificação à propriedade rural através de um projeto bem planejado. Produção não é o problema, e sim a logística e o mercado”, explicou. Já sobre a questão ambiental e de saúde, ele argumentou ser necessário que governo e Organização Mundial da Saúde (OMS) se preocupem mais com a poluição provocada pelos combustíveis, que, conforme defende, é mais prejudicial à saúde que o cigarro.

Câmara Setorial do Tabaco
Airton Artus acredita que o tratamento negativo dado à cadeia produtiva do tabaco seria desproporcional, levando em conta os riscos à saúde provocados por outros fatores. Ele ainda critica a tentativa da Organização Mundial da Saúde de excluir o tabaco dos acordos feitos pela Organização Mundial do Comércio. “A OMC possui uma visão mais pragmática do mercado”, observa. Além disso, outros pontos que preocupam a Câmara Setorial, de acordo com Artus, são a padronização das embalagens – que passariam a ser genéricas – e o comércio ilegal, gerado tanto pelo contrabando quanto pela falsificação interna.

Sinditabaco
Iro Schünke quer saber mais sobre a postura do governo federal em relação ao tema. “O Brasil é protagonista na Convenção-Quadro e nos preocupa essa falta de clareza sobre a posição do governo em relação a assuntos que serão discutidos, como é o caso da intervenção da OMS em questões de natureza comercial. O tabaco, assim como outros produtos exportados pelo País, faz parte de acordos internacionais junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas a OMS quer retirar o tabaco desses acordos, o que poderá prejudicar em muito as exportações, especialmente para o Brasil que é responsável por 30% dos embarques mundiais”, argumentou Schünke.

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