Safristas comemoram manutenção de regras do PIS

Santa Cruz do Sul/RS – Os trabalhadores sazonais (safristas) do tabaco continuarão a contar com o abono anual do Programa de Integração Social (PIS), que estava ameaçado com mudança proposta pelo governo dentro das medidas de ajuste fiscal. A Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e os Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa) e de Venâncio Aires (Stifumo-VA) divulgaram nota na última sexta-feira, dia 19 de junho, informando que “o governo voltou atrás e as regras do PIS não vão mudar”.

O abono salarial, que equivale a um salário mínimo vigente, continuará sendo pago anualmente aos trabalhadores que recebem remuneração mensal de até dois salários mínimos e tenham tido sua carteira assinada por, no mínimo, 30 dias consecutivos ou não, no ano, afirmam as entidades. É destacada também a mobilização nacional feita desde fevereiro do corrente ano, com visitas a prefeitos, deputados e senadores, e a luta desenvolvida, junto com demais lideranças do País, para que não mudassem as normas de concessão do abono. “A manutenção das atuais regras se constitui numa vitória de todos os trabalhadores brasileiros”, salientam os dirigentes.

A alteração que estava sendo proposta pelo governo prejudicaria cerca de 70% dos safristas, que deixariam de receber este benefício, pois ele seria assegurado apenas aos que trabalhassem, no mínimo, 180 dias. Isto representaria perdas na ordem de R$ 15 milhões só no setor de tabaco da região, conforme as lideranças dos trabalhadores denunciavam publicamente em março de 2015. O movimento feito em nível nacional trouxe resultados positivos e evitou este prejuízo.

O número de trabalhadores sazonais da indústria de beneficiamento do tabaco no Rio Grande do Sul, em junho de 2015, atinge 7.116 no total em Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, semelhante ao do ano passado na mesma época. Em Venâncio Aires, os empregos industriais na safra giram entre 5,5 mil a 6 mil trabalhadores anualmente, totalizando aproximadamente 13 mil safristas empregados a cada ano na região. Somando ainda os empregos efetivos em Santa Cruz do Sul, só nesta cidade o setor reúne 10.131 funcionários, conforme o Stifa.

CONTRA O CONTRABANDO

Sérgio Pacheco, presidente do sindicato santa-cruzense, observa que o mencionado número se encontra estável e até um pouco abaixo do verificado no último ano, o que poderia ser alterado significativamente se houvesse, por exemplo, condições de reduzir o contrabando de cigarros entre o Paraguai e o Brasil. O problema, que inclusive tem aumentado ultimamente e já representa o segundo maior volume de comércio do produto no País, preocupa também os organismos de defesa dos trabalhadores.

O dirigente local pretende destacar a discussão deste assunto em reunião de representantes da América Latina que será realizada pela União Internacional dos Trabalhadores (Uita) em Montevidéu, capital do Uruguai, no início do mês de agosto próximo, e outra da mesma organização que acontecerá, ainda no segundo semestre deste ano, em Santa Cruz do Sul. Sérgio Pacheco foi convidado oficialmente para ser o representante brasileiro na Uita, ao receber no último dia 8 de junho o secretário da União para a América Latina, Gerado Iglesias.

Benno Kist
benno@editoragazeta.com.br
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