Safra tem produtividade maior e defasagem no preço médio

Santa Cruz do Sul/RS – Com 80% da safra 2014/15 comercializada nos três estados do Sul, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) divulgou no fim de semana que houve aumento da produtividade e defasagem no preço médio do tabaco Virgínia, o mais produzido na região. O balanço tem por base uma pesquisa realizada pela entidade com 1.759 agricultores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

De acordo com o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, a média de produtividade nas lavouras de tabaco Virgínia é de 2.521 quilos por hectare até o momento. No mesmo período da safra passada a média era de 2.456 quilos por hectare, variação de 3%. Apesar do leve aumento nos valores médios praticados pelas indústrias desde o início de maio – cerca de 5%, conforme Benício Werner -, a Afubra apurou que, na prática, o reajuste de 6,4% na tabela acertado com a maioria das indústrias não foi repassado integralmente ao produtor. “O reajuste médio deverá ficar em 4%, não mais do que isso. Ou seja, teremos uma defasagem em relação aos valores da safra anterior”, lamenta.

Para o presidente da Afubra, a valorização observada pelos produtores que deixaram para maio a entrega das arrobas tem duas explicações: 1) é a partir desse período que começa a venda, em volumes mais expressivos, das folhas de melhor qualidade, o que puxa para cima também o preço; 2) surtiu efeito a pressão sobre as indústrias realizada pelas entidades que representam os fumicultores do Sul do Brasil. “Tivemos apoio também de prefeituras, deputados e outras entidades. As empresas sentiram a pressão que fizemos ao longo do mês de abril. Foram quatro audiências públicas para tratar do assunto, além da mobilização em Venâncio Aires”, destaca.

Para a safra 2015/16, que já começa a ser preparada em regiões como o Sul de Santa Catarina e o Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, a orientação da Afubra é para que os produtores reduzam a lavoura em cerca de 10%. “Reforçamos o pedido para que tenhamos um volume menor na próxima safra. Assim conseguiremos ter controle maior sobre oferta e demanda, o que tem impacto direto no preço pago aos fumicultores. Nosso foco a partir de agora deve ser mais em qualidade”, orienta.

Igor Müller
igor@editoragazeta.com.br
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