Safra de tabaco está 87% colhida e mostra boa qualidade

Produto tem melhor qualidade que na safra passada, diz Afubra (foto: Inor Assmann)

Produção está 4,86% menor em relação à safra anterior, diz Afubra (foto: Inor Assmann)

Santa Cruz do Sul/RS – A temporada 2014/15 da produção de tabaco na região sul-brasileira, que corresponde a 97% da cultura no País, registra até a primeira quinzena de fevereiro a colheita de 87% do total previsto, conforme levantamento feito pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Sequência de chuvas em diversas áreas acarretou queda na produtividade, mas por outro lado auxiliou na obtenção de qualidade, que se apresenta melhor do que na safra passada, constata Benício Albano Werner, presidente da entidade.

A área cultivada nos três estados do Sul ficou em 308,2 mil hectares e o volume estimado é de 695,8 mil toneladas. Os números são, respectivamente, 4,77% e 4,86% inferiores aos da safra passada, de acordo com as últimas planilhas da entidade representativa dos produtores, de dezembro de 2014. Recuos na demanda mundial e nas vendas externas, maiores estoques e concorrência de países africanos estão entre as razões para tanto, como já se verificava em novembro e foi informado no Anuário Brasileiro do Tabaco 2014.

Na recente amostragem feita até o dia 14 de fevereiro de 2015, a Afubra apura que a comercialização da atual safra, ainda no início, corresponde a cerca de 6% da produção estimada. Enquanto a colheita ocorre mais tardiamente no extremo sul, áreas de Canguçu e São Lourenço do Sul (RS), e na região de Imbituva e Rio Negro, no Paraná, as vendas mais adiantadas são procedentes da região litorânea de Santa Catarina (Araranguá e Tubarão).

Quanto à remuneração alcançada nas primeiras entregas da produção, a média geral constatada pela associação no principal tipo produzido, o Virgínia, é de R$ 7,66 por quilo. Este valor representa um acréscimo de 3,65% em relação à média alcançada pela variedade na última safra. Já os acordos firmados pelas entidades representativas dos produtores com diversas empresas para a comercialização do ciclo 2014/15 prevêem um índice de aumento na ordem de 6,4%.

“A compra não corresponde à expectativa dos produtores e à qualidade alcançada na produção”, segundo as observações iniciais do dirigente da Afubra. “Pelo produto obtido e também pela cotação cambial, que se mostra favorável à exportação, era esperado resultado melhor no setor produtivo”, diz Werner, apontando para perspectiva existente de valores médios pelo menos em torno de R$ 8,00/quilo. Por este motivo, a representação dos produtores está organizando visitas para acompanhar a comercialização, que vai se intensificar a partir de agora.

Benno Bernardo Kist
benno@editoragazeta.com.br

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