Safra de tabaco começa com recomendação de cautela na região

Santa Cruz do Sul/RS – Com aproximadamente 25% do tabaco da safra 2017/2018 por ser comercializado, os agricultores já se envolvem com os preparativos do novo ciclo produtivo. Na parte baixa do Vale do Rio Pardo, as famílias se dedicam ao preparo dos canteiros e à semeadura e cuidados com as mudas. Segundo o tesoureiro da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Laurindo Drescher, nas regiões Serrana e Sul do Rio Grande do Sul, onde muitos produtores rurais ainda vendem a última colheita, o trabalho deve se intensificar mais adiante.

O acompanhamento da Afubra aponta que o valor médio pago até agora para o tabaco tipo Virgínia é de R$ 9,39 por quilo, enquanto o Burley está em R$ 8,35 por quilo. “A média está 7% acima da safra anterior, mas o fumicultor está colocando menos dinheiro no bolso porque a produtividade é 8,5% menor”, explica. Questões climáticas durante o cultivo prejudicaram a colheita. A produção total estimada nos três estados do Sul é de 667.223 toneladas, em 297.460 hectares. Para 2018/2019, a Afubra indica que os associados não aumentem sua produção, de olho no equilíbrio do mercado.

A mesma recomendação é reforçada pelo Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol e Herveiras, o qual sugere que os produtores não plantem além da capacidade de fornos, lenha e mão de obra das propriedades. “Sugerimos que ainda levem em consideração a questão de fazer o plantio dentro do período recomendado e não esqueçam de plantar os produtos de subsistência, fundamentais para baixar os custos e ter a garantia de alimentação saudável”, indica o presidente do STR, Renato Goerck.

O agricultor Luiz Carlos Schroeder, de 49 anos, concluiu esta semana a venda do tabaco da recente safra. Em paralelo, apronta a lavoura para receber as novas mudas, que já foram semeadas, e prepara o estoque de lenha para mais um ciclo produtivo. “Queremos começar o transplante no dia 30 de julho”, diz. Em Ferraz, interior de Vera Cruz, a ideia é manter a mesma produção de 60 mil pés. O trabalho na propriedade é conduzido ao lado da esposa Marlise e do filho mais velho, Rafael.

Preparativos no campo

Na localidade de Max Bruhns, no interior de Passo do Sobrado, o fumicultor Silvio Haas (foto abaixo), de 44 anos, planeja iniciar o plantio da nova safra de tabaco no dia 25 de julho. “Pretendo terminar todo o transplante das mudas até o dia 10 de agosto”, conta. Este ano, a ideia é manter os mesmos 85 mil pés da etapa anterior. “Já cheguei a plantar 110 mil pés, mas com pouca mão de obra disponível, precisei reduzir ao longo dos anos para não encarecer os custos.”

Ao lado da esposa Lucinéia, atualmente cuida do desenvolvimento das mudas nas bandejas. “A lavoura já está pronta para receber as plantas”, frisa. Na propriedade de dez hectares, Haas aposta no plantio direto, rotacionando o tabaco com soja e milho. Para o ciclo 2018/2019, torce para não sofrer com as adversidades climáticas, como aconteceu no ano passado, e ainda conseguir uma boa venda para a colheita. Hoje, ele ainda tem 400 arrobas da safra atual no paiol para comercializar.

Tendência de retração

A Afubra ainda não tem a projeção para a safra de tabaco 2018/2019. As estimativas devem ser divulgadas somente depois da conclusão do plantio, no mês de outubro. Até o momento, a entidade tem apenas uma pesquisa de intenção de plantio, feita entre os associados, a qual indica uma retração de 2,5% da área plantada. Para a safra 2017/2018, a estimativa da Afubra é de que a produção fique em 667.223 toneladas no Sul, distribuídas desta forma: 290.913 toneladas no Rio Grande do Sul, 224.454 em Santa Catarina e 151.855 toneladas no Paraná.

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