Protesto dos caminhoneiros compromete entrega da safra

Santa Cruz do Sul/RS – Os protestos de caminhoneiros que interrompem o fluxo de cargas nas principais rodovias do Rio Grande do Sul, estendendo-se à região Sul do País e aos demais estados, não prejudicam apenas o abastecimento no comércio. Levaram a medidas que alteraram o ritmo de entrega da safra de tabaco nas empresas, tanto de produto oriundo das regiões mais próximas ao polo de processamento no Vale do Rio Pardo (RS) quanto o de localidades mais distantes. A RSC-287, que liga os municípios de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires – onde ficam as principais empresas do setor -, tem restrições no trânsito desde o início da semana.

Desde os primeiros momentos em que os bloqueios no transporte se intensificaram, há uma semana, conforme informações que circulam na cadeia produtiva, empresas passaram a orientar suas equipes de apoio no campo e os transportadores a interromper o cronograma do carregamento e as viagens até as indústrias. A medida, de forma preventiva, visa não expor as cargas de um produto perecível a uma espera prolongada no meio do caminho.

O secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, também presidente da Câmara Setorial do Tabaco, em entrevista ao Portal do Tabaco confirmou que recebeu várias informações dando conta dessa medida de parte das empresas fumageiras. “Isso faz todo o sentido. Quando uma carga é submetida por mais tempo, digamos um ou dois dias, ao risco de chuvas ou de sol forte, a chance de o tabaco se deteriorar é muito grande”, comenta.

SEGURO

Ele lembra que o tabaco, quando está sobre o caminhão rumo à indústria, é contemplado por seguro – que corre por conta da própria empresa -, mas que, até por conta do risco de perdas e prejuízos, de forma preventiva a entrega foi interrompida em virtude dos protestos. Conforme Schneider, quando ocorre de um fardo de tabaco, ao ser colocado no caminhão, apresentar índice de umidade próximo ou superior a 17%, é grande a tendência de ele se aquecer no caminho e assim ficar depreciado. “Imagine-se então se um caminhão ficar por muito tempo parado no caminho. Nesse caso, inclusive outros fardos podem ser afetados, ou comprometer-se a qualidade da carga toda”, refere.

Informações extra-oficiais dão conta inclusive de que em algumas empresas já no início de março seria adotado o segundo turno de trabalho nas áreas de recebimento, manuseio e processamento interno das folhas, e essa medida igualmente foi adiada, enquanto os protestos prosseguirem. Com isso, a programação dos envios de parcelas da produção junto aos produtores de toda a região, e inclusive de outras regiões dos três estados do Sul, precisará sofrer ajustes ou replanejamento. Até que ponto isso pode vir a afetar o fluxo geral de entrega da safra, ainda é prematuro para avaliar.

Romar Beling
romar@editoragazeta.com.br

 

O impacto dos protestos na indústria gaúcha

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