Produtores pressionam por compromissos da COP 6

Santa Cruz do Sul/RS – Os compromissos assumidos na última Conferência das Partes (COP 6) da Organização Mundial da Saúde (OMS), em outubro de 2014 na Rússia, referentes à participação dos produtores de tabaco nas decisões sobre a diversificação de atividades, estão sendo cobradas pelo setor. A Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), reunida com representantes americanos em Oberá, na Argentina, formalizou pedido para que os produtores e suas representações sejam partes ativas neste processo.

Antônio Abrunhosa, diretor-executivo da ITGA, lembrou que a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), em seu artigo 17, estabelece o compromisso da OMS de apoiar atividades alternativas economicamente viáveis para os cultivadores. “No entanto, em um cenário de queda na demanda pela folha de tabaco, a CQCT, mais de dez anos e milhões de dólares depois, ainda não produziu um único relatório com um exemplo real de uma diversificação viável, nem sequer em um dos mais de 100 países que produzem tabaco, e jamais escutou a voz dos milhares de agricultores que vivem do cultivo ancestral”, afirmou o dirigente.

A reunião na Argentina contou com a presença de representantes locais, do Brasil, Colômbia, Estados Unidos e República Dominicana. Reiterou também a relevância da produção de tabaco em países como o Brasil, onde a cadeia produtiva envolve mais de 2 milhões de pessoas e 170 mil produtores, enquanto no meio rural argentino é o setor que mais demanda mão de obra, empregando aproximadamente 40 mil trabalhadores.

A delegação brasileira contou com a participação de Romeu Schneider, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, tesoureiro da ITGA e secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A entidade dos produtores ainda esteve representada pelos dirigentes Marcílio Laurindo Drescher, Mário Ilo Grützmacher e Marco Antonio Dornelles.

Schneider observa que o tema foi o destaque também do último encontro da Câmara Setorial, realizado dia 18 de março passado. Na ocasião, foi aprovado documento, enviado à ministra Kátia Abreu (Agricultura), para que gestione junto ao Conselho Nacional de Implementação da Convenção Quadro (Conic) e Ministério das Relações Exteriores, no sentido de que se dê a efetiva audiência das entidades representativas do tabaco nas definições relacionadas à diversificação.

O assunto ganha relevância, assinala o coordenador da Câmara, diante da possível redução da demanda do produto, pelo que o mercado mostra, com maiores estoques e menor consumo em alguns países. Além disso, complementa, ocorre o redirecionamento das compras de grandes importadores diante de altos custos brasileiros, onde ainda se prevê aumento para a próxima safra, com a repercussão do dólar mais caro nas importações de matérias-primas de insumos.

Benno Bernardo Kist/com informações de Michele Treichel
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