Produtores e indústria voltam a negociar o preço hoje

Por Michelle Treichel (michelle@editoragazeta.com.br)

Produtores de tabaco e indústria realizam hoje a segunda rodada para definir a tabela de preços a ser paga pela safra de tabaco 2019/20. As reuniões individuais acontecem na matriz da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), em Santa Cruz do Sul, e integram as empresas Souza Cruz, Japan Tobacco International (JTI), Philip Morris, Universal Leaf, Alliance One, China Brasil Tabacos e Continental Tobaccos Alliance (CTA). Os primeiros encontros aconteceram no dia 10 de dezembro do ano passado, mas terminaram sem consenso entre os envolvidos.

O presidente da Afubra, Benício Albano Werner, ressalta que os resultados da primeira rodada são considerados insatisfatórios. “A expectativa era de ter firmado acordo, o que não ocorreu com nenhuma empresa”, lamenta. Agora, a comissão que representa os fumicultores espera que as companhias apresentem propostas de reajuste “que remunerem dignamente os produtores”, reforça. Até o momento, o o principal impasse diz respeito à valorização da mão de obra, que tem em torno de 56% na participação total do custo de produção.

Até o momento, o volume comercializado na safra gira em torno de 3%. “É um índice ainda muito tímido para fazermos uma avaliação.” Enquanto isso, as famílias produtoras ainda se dedicam à colheita do produto nas lavouras. O índice colhido varia de acordo com os microclimas, com o litoral catarinense com 100% do tabaco colhido. Na região baixa do Vale do Rio Pardo, segundo a Afubra, o volume chega a 80%. “Nessa mesma região, na parte alta ou serrana, estamos com 55% colhido”, revela Werner. A estimativa é de que a colheita siga até o dia 10 de março.

Agenda dos encontros
8h15 às 9h25: JTI
9h30 às 10h30: Souza Cruz
10h35 às 11h30: Philip Morris
11h35 às 12h20: CTA
13h30 às 14h25: China Brasil Tabacos
14h30 às 15h25: Alliance Onde
15h30 às 16h25: Universal Leaf
16h30 às 17h25: Premium Tabacos

Percentual da colheita
Litoral catarinense: 100% do tabaco colhido
Vale do Rio Pardo, região baixa: 80% do tabaco colhido
Vale do Rio Pardo, região serrana: 55% do tabaco colhido
Zona Sul RS: 40% do tabaco colhido – Camaquã é exceção, com 72% do trabalho concluído
Alto Vale do Itajaí (SC): 80% do tabaco colhido
Planalto Norte de Santa Catarina e Paraná: 50% do tabaco colhido
Oeste catarinense: 95% do tabaco colhido
No mesmo período do ano passado, conforme a Afubra, todas as regiões estavam com mais ou menos a mesma proporção de tabaco colhido, com diferença de em torno de 5% a mais nesta safra.

Clima é um desafio para os fumicultores

As condições climáticas adversas somam prejuízos para os produtores de tabaco gaúchos. A região produtora mais afetada é a central, onde as perdas são consideradas altas. Conforme o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, primeiro foi o excesso de chuva que afetou as lavouras. Mais recentemente, os produtores precisaram enfrentar a estiagem e o calor intenso. “Nos estados de Santa Catarina e Paraná tivemos um clima favorável, boa produtividade e também tabaco de muito boa qualidade”, conta.

Em relação ao granizo, a entidade revela que foram 19.950 registros de lavouras afetadas na safra 2019/20, contra 20.660 no mesmo período do ano passado. A microrregião mais afetada é a de Imbituva e Irati, no Paraná, com 4.130 lavouras atingidas. Também no Paraná, Rio Negro soma prejuízos com granizo em 3.200 lavouras. Já na região de Santa Cruz do Sul, foram 3.100 comunicados de prejuízos até o momento.

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