Produtor perde tabaco em queima silenciosa

Por João Caramez (joao.caramez@gaz.com.br)

Passo do Sobrado/RS – O fumicultor Alberto Pimenta Erthal passou por uma situação inédita em seus 35 anos. O fumo que ele havia estocado no paiol, da forma costumeira, como aprendeu ainda na juventude, ficou carbonizado. Uma queima silenciosa, que sequer gerou chamas. E que deixou um prejuízo de R$ 150 mil, equivalente a 1,2 mil arrobas. “Nunca ouvi falar disso. O fumo queimar na pilha. Tem vizinhos e outras pessoas de fora para provar. Gente de 70 anos, que nunca tinha visto. Basta mexer na folha que ela vira cinza”, afirma.

Ele relata que descobriu o fenômeno ao subir até o topo das pilhas de folhas. “Meu filho me disse que a pilha havia baixado muito, que estava achando estranho”, relata. Segundo ele, até então, a única coisa anormal era o cheiro adocicado. “Não tenho seguro para cobrir no paiol. Vou ter que arcar com o prejuízo. O jeito é pensar na próxima safra, trabalhar duro e recuperar. Não será fácil. Tenho dívidas acima de R$ 170 mil”, lamenta. Erthal vive com a esposa e dois filhos. A fumicultura é a principal fonte de renda da família.

O motivo ainda não foi explicado. Técnicos da indústria fumageira irão até a propriedade, a três quilômetros do Centro de Passo do Sobrado, para coletar folhas e analisar a razão da carbonização nas pilhas. Um orientador agrícola está negociando prazos de pagamento para ajudá-lo. Erthal é de Gramado Xavier e está há sete anos no local.

A reportagem consultou o técnico agrícola Marco da Rosa, da Afubra, que disse nunca ter presenciado algo semelhante. “Uma queima espontânea, eu nunca vi. Algo deve ter acontecido para provocar a combustão. Alguns produtores usam pílulas para eliminar traças. Outros estocam em uma estrutura de dois pisos e fios elétricos passam por baixo. Mas se não houver esses elementos envolvidos, é muito estranho.”

O transportador  Ênio Schweickardt, de 55 anos, carrega o fumo de Erthal e se solidarizou com ele diante do problema. Decidiu unir esforços para organizar uma rifa. Somente um dos vizinhos doou R$ 300,00 para ajudar o agricultor a se reerguer. “Ele é um homem trabalhador, tem ótimo caráter. Não merece passar por essa situação”, diz  Ênio. Em meio à frustração pela perda de praticamente toda a safra do ano, Erthal agradece o apoio. “Passa cada coisa na cabeça da gente, mas não posso deixar a minha família se abater. Peço a Deus que a gente possa recuperar. Não sei nem como agradecer a ajuda que as pessoas estão fornecendo.”

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