Preço do tabaco abaixo da média reduz ganhos dos produtores

Por: Fernanda Szczecinski (fernanda@gaz.com.br)

Santa Cruz do Sul/RS – Apesar do aumento considerável da produção em relação ao ano passado, a safra de tabaco não deve injetar muito mais recursos na economia gaúcha com a venda da colheita. O baixo preço pago com a desvalorização na classificação durante a comercialização causou a queda no preço médio, de R$ 10,17 em 2015/2016 para R$ 9,03 até o momento.

Se o valor antigo fosse mantido, a venda das 328.040 toneladas produzidas neste ano renderia R$ 3.336.166.800,00. Com o novo preço, no entanto, o montante será de R$ 2.962.201.200,00. Até a última semana, cerca de 25% da produção já havia sido vendida.

De acordo com o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, as empresas alegam que a desvalorização do produto tem como causas a oferta muito acima da demanda e a procura do mercado por fumos mais maduros. “Nós acreditamos que vamos ter uma oferta acima da demanda necessária, mas não tanto quanto eles estão colocando”, observou.

Ainda em julho do ano passado, lembra Werner, os produtores foram orientados a não expandirem as áreas de plantio, mas alguns optaram por fazê-lo mesmo assim. Conforme o dirigente, o discurso antitabagista tem contribuído para a queda da demanda, que caiu de 7 milhões de toneladas para cerca de 5 milhões nos últimos 14 anos. Outro fator que contribui para a redução é o contrabando de cigarros, que vem ganhando força diante do valor muito alto do produto legalizado.

A expectativa é de que, até o final da safra, o preço por quilo chegue a R$ 9,35, garantindo a lucratividade dos fumicultores, mesmo que abaixo do esperado. Atual vice-prefeito de Venâncio Aires e um dos maiores produtores de fumo do Vale do Rio Pardo, Celso Krämer vê o cenário com preocupação. “O produtor agrícola sai extremamente prejudicado, pois vê seu poder de comprar diminuir e o preço dos produtos que precisa adquirir manter-se ou aumentar ainda mais”, comentou.

Com a safra do ano passado prejudicada pela queda de granizo na região, Krämer teme que o pequeno agricultor não resista a mais uma temporada com resultados negativos. “Além de encolher a produção do ano passado, o granizo trouxe prejuízos para toda a propriedade e deixou o fumicultor com débitos. Desta vez é o preço que está muito abaixo do esperado, o que pode ser fatal para os negócios do pequeno produtor”, ressaltou.

Insumos agrícolas têm custos elevados
Outro problema assinalado por Celso Krämer é o valor dos insumos agrícolas repassados das fumageiras para os produtores, os quais não baixaram de preço. A diferença, segundo ele, é de até 200% em relação ao comércio em geral.

Somados, Krämer acredita que esses contratempos podem contribuir para o aumento do êxodo rural. “Foram 10 mil produtores desistindo nos últimos dois anos e isso só deve aumentar”, frisou. Ele acredita que uma das soluções é a integração entre sindicato, fumageira e produtor rural, além da fixação de preços mínimos e da fiscalização das negociações.

Para lembrar
A última rodada de negociação do preço da safra de tabaco, em 17 de janeiro, terminou sem acordos. Nenhuma das empresas chegou ao percentual de reajuste de 8,35% sobre a tabela do ano passado, assinado com a Souza Cruz em novembro. Com isso, essa empresa permanece a única que assinou o protocolo com os fumicultores até agora. O índice representa 1,05 ponto percentual acima da variação do custo de produção, de 7,3%. Com isso, o preço de tabela pelo quilo do fumo do tipo TO2 é R$ 9,35 e o BO1 vale R$ 11,64.

As propostas apresentadas na última rodada foram apenas para a variedade Virgínia. A Philip Morris ofereceu reajuste de 5,3% para as posições B e T e X e C, conforme a tabela da safra anterior. A JTI propôs 6,7% de aumento. Já a Universal Leaf apresentou acréscimo de 7,5% para as posições B e T e nas X e C, a manutenção da tabela da safra passada; e nas classes XL1, XL2, CL1 e CL2, redução de 7%. A Alliance One, China Brasil e Premium não trouxeram propostas.

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