Por dentro da safra: temperaturas abaixo de zero

Por: Giovane Luiz Weber, produtor de tabaco

Assista ao vídeo no Portal Gaz

Olá, pessoal. Tudo bem? Até demorou um pouco, mas o inverno chegou com tudo, depois de algumas semanas com temperatura acima da média para a época. Agora tivemos geadas muito fortes no sábado, no domingo e ontem. E isso que na sexta-feira já houve leve congelamento em algumas áreas. Três a quatro dias de frio intenso é algo que há muito tempo não acontecia, com menos de dez graus aqui na localidade, Cerro Alegre, mas com temperaturas abaixo de zero em vários municípios. Num frio desses, por vezes acompanhado de vento gelado, não tem muda de tabaco que resista, como se pode ver na foto abaixo. O canteiro ficou muito danificado!

Agora, o jeito é tentar contornar
Mesmo com os produtores cuidando bem dos canteiros, e mantendo o plástico de proteção bem vedado, com temperaturas negativas é praticamente impossível preservar as mudas por completo, ou evitar que elas queimem com o frio e tenham seu desenvolvimento comprometido. Elas congelam. Alguma coisa até se salva, mas quem planta tabaco sabe que é difícil evitar que a muda adoeça ou crie fungos, pois fica mais fraca. O mais certo seria semear de novo, ou fazer o repique (replantio), para quem consegue mudinhas para fazer isso. Nesse caso, em uma semana a muda estará pegando de novo. Caso se semeie agora, isso acabará por retardar em 30 dias a 45 dias, no mínimo, a época de plantio. E ainda dependerá do clima.

Por sorte ainda não plantamos
Aqui na propriedade conseguimos proteger bem as mudas, e assim não houve problema. Só que a gente também já era para ter plantado o primeiro canteiro, na semana passada. Como estava anunciado esse frio intenso, optamos por aguardar. Não tivéssemos feito isso e teríamos perdido as mudas na lavoura. Como há dias não chove, e a terra por cima está muito seca, vamos aguardar para que dê uma chuva, e então plantaremos o primeiro canteiro.

E o prejuízo não é só do produtor
Lamento pelos produtores que tiveram mudas danificadas ou que perderam tabaco na lavoura. Muitas vezes acaba sendo uma loteria, um risco, plantar cedo. Em um ano de inverno normal não se teria todo esse transtorno, mas houve essa onda de frio muito forte. Esse prejuízo não vai ser só do agricultor; se estenderá adiante. Se o colono não terá o produto para vender, a indústria não terá como comprá-lo, e assim perde o funcionário, depois perde o comércio, e o imposto não será gerado. Com menos produção, o interior não movimenta a economia. Isso é uma bola de neve, por falar em frio.

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