Por Dentro da Safra: onde foi parar a chuva?

A gente estava animado com a previsão de chuvas consideráveis para o último fim de semana, mas isso infelizmente não aconteceu. O tempo se armou, com nuvens pesadas no horizonte, mas deu apenas cinco milímetros de precipitação. Isso não serviu sequer para “lamber o pó” e hoje já não se vê mais nada. Caso não surjam problemas, a colheita do nosso tabaco termina até o fim do ano. Se tivesse chuva, daria uma reavivada nas folhas, porque elas estão ficando murchas. Então, é preciso colher pela manhã, porque à tarde é quase impossível. Com as folhas murchas, existe o risco de amassá-las e haver perda de qualidade.

Estamos preocupados, pois, mesmo que a colheita do tabaco esteja indo para a reta final, temos outras culturas na lavoura, como milho, batata, mandioca e feijão. E o principal: os agricultores na região Sul do Estado estão penando com a escassez de chuva (foto). Olhamos todos os dias para o horizonte à procura da chuva, mas ela não vem. Essa é uma das grandes dificuldades para quem lida no interior.

Perda para o agricultor e para a cidade
Nos últimos dias, verifiquei que no Sul do Estado há três municípios entre os dez maiores produtores de tabaco do Brasil (Canguçu, São Lourenço do Sul e Camaquã), conforme dados relacionados à safra 2018/2019. Com a escassez de chuva, isso representa uma perda grande para o agricultor, para os municípios e o Estado em recursos. Haverá menos dinheiro na mão do agricultor e menos dinheiro vai circular na cidade. Além disso, mais de 17 mil propriedades já foram atingidas pelo granizo nesta safra nos três estados do Sul, número bem superior ao mesmo período do ano passado. Em consequência, isso também vai trazer uma quebra na produção. E ainda temos a redução na área de plantio nesta safra. Então, tudo leva a crer que o tabaco este ano vai apresentar uma queda na produção, mas ainda não sabemos o número exato.

Feijão novo colhido
Na nossa propriedade já temos feijão novo desta safra colhido, como mostra na foto a minha mãe, Rosa Maria Weber. Este ano, o que se plantou cedo vingou nas lavouras. O tabaco transplantado em julho e início de agosto foi o que melhor rendeu, diferente do que foi para as lavouras no fim de agosto e começo de setembro, que sofre com a falta de chuva e o calor. O mesmo aconteceu com outras culturas, como o milho e feijão, que, mesmo plantados cedo, com todas as chuvaradas, renderam alguma coisa, ao contrário do que foi cultivado mais tarde.

Negociação do preço do tabaco


Na semana passada, participei da primeira rodada da negociação do preço do tabaco, que ficou a desejar. Das sete indústrias fumageiras participantes dos encontros individuais, apenas cinco apresentaram o seu custo de produção e três levaram proposta de reajuste. Entretanto, com exceção de uma empresa, os valores para a produção não chegaram ao índice apurado pelas entidades, individualmente para cada fumageira. Quanto às propostas de reajuste de preço, nenhuma chegou a atingir a média do custo apurado, sendo bem abaixo do esperado pela comissão dos agricultores. Pude participar pela primeira vez na vida de uma negociação e verifiquei que não é fácil passar o dia inteiro negociando com empresa por empresa, e ver que não está dando resultado a apresentação dos números. Agora o negócio é esperar a próxima rodada, lá por janeiro.

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