Por dentro da safra: mais uma estufa colhida e mais chuva

Por Giovane Luiz Weber, produtor de tabaco

Olá, pessoal!| Tudo bem? Mais uma semana que começamos abaixo de chuva. E isso que terminamos a semana passada exatamente do mesmo jeito. Mas ao contrário do que ocorreu na semana passada, quando os temporais assustaram a região, nesta semana, pelo visto, vem só chuva. No entanto, muita chuva. Para o agricultor, o jeito é aguentar firme. Aqui na propriedade, descarregamos o tabaco já seco da segunda estufa, a de grampo, que enchemos. O tabaco ficou bonito, de qualidade, como mostro na foto abaixo, porque conseguimos colher no período seco. Tivéssemos feito isso no molhado, o risco de ele apodrecer dentro da estufa teria sido grande. Mesmo com o ar forçado, é muita umidade.

O clima provoca atraso na colheita
Com essa segunda fornada descarregada, devíamos ter colhido no mínimo quatro, que já deviam estar secas. Ou seja, estamos bastante atrasados no serviço, por causa do tempo. Mas quando se lembra que em muitas regiões o granizo acabou com as lavouras, é melhor estar só com a colheita atrasada. Ainda estamos no lucro. O tabaco por aqui também foi revirado pela ventania, que quebrou muitos pés e folhas, e já vai dar quebra na safra. Porém, ainda estamos confiantes. Se o clima mudar, e estabilizar mais, vamos conseguir uma safra tranquila para pagar as contas e, se der tudo certo, sobrar um dinheirinho para a gente se manter ao longo dos meses seguintes.

Muito estrago por granizo nesta safra
Os estragos causados pelo granizo nesta temporada estão muito além do normal. Como a Gazeta do Sul divulgou em sua edição de final de semana, desde o início da safra mais de 11.700 lavouras já haviam sido prejudicadas. E é provável que mais áreas tenham sido atingidas nos últimos dias, de maneira que certamente o número já passa de 12 mil. Só na última semana, conforme a Afubra, quase 8 mil lavouras foram danificadas. A gente sabe que muitos agricultores têm seguro, e vão receber auxílio, mas nunca é a mesma coisa do que conseguir colher a safra. E o principal é o desânimo, o psicológico: a família trabalhou tanto; na região, tudo começou já lá em maio. E agora, quando chega a hora de colher, vem o granizo e acaba com tudo. O psicológico do agricultor tem de ser forte, senão ele sucumbe, até adoece. Ou abandona a propriedade.

Quem fica na agricultura é um forte
Por tudo isso, a gente chega à conclusão de que forte é o agricultor que permanece na colônia mesmo com todos esses acontecimentos climáticos, com essas perdas. Ao mesmo tempo, aquele que vai buscar outra profissão, não que ele seja fraco, mas ele simplesmente cansou de apanhar. Apanha um, dois, três anos seguidos, e cansa. Aí se deve compreender quando ele tenta pelo menos uma outra profissão, algo em que possa garantir o sustento seu e da sua família. Sempre compreendo que quem permanece na colônia é porque é forte, mas quem abandona simplesmente cansou de apanhar e está buscando algo diferente para o seu sustento.

E falta falar do passeio a São Paulo
Na coluna da semana passada referi minha viagem a Marília, em São Paulo, a convite, para uma visita à sede da empresa Jacto, e mencionei que ia repercutir esse passeio por aqui. Não fiz isso nesta edição, mas o farei com toda a calma na semana que vem, ok?

Assista ao vídeo no Portal Gaz

Share

Adicione um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *