Por dentro da safra: alô, presidente e governador

Por Giovane Luiz Weber, produtor de tabaco

Opa, tudo bem? Antes de contar como foram os primeiros dias de colheita aqui na propriedade, não posso deixar de tocar no assunto do momento: eleições. E o recado vai para o presidente e o governador eleitos nesse domingo. Por favor, olhem para o povo do interior de nossos municípios, pelos que trabalham na agricultura. Nós, fumicultores, também somos agricultores e merecemos um pouco mais de respeito, em especial do governo federal. Trabalhamos em uma atividade legal, que nos garante uma boa renda e que precisa, de uma vez por todas, deixar de ser marginalizada pelos governantes.

Começou a colheita

Enquanto se discutia a reta final da campanha, na semana passada, aproveitamos o tempo bom e iniciamos a colheita do tabaco por aqui. Para que o pessoal da cidade entenda como funciona, vou tentar ser didático: o tabaco virgínia, que é o mais produzido no Sul do Brasil, não é colhido de uma vez só. A colheita ocorre por etapas, começando pelas folhas mais de baixo. É o chamado baixeiro. Ou seja, passamos pelo menos três ou quatro vezes por pé até apanhar todas as folhas. Normalmente produzimos, em média, 22 folhas por pé.

Depois da lavoura…

Na colheita utilizamos calçado fechado, roupa de manga longa e luvas. Quando a planta está úmida, é preciso vestir também uma roupa especial disponibilizada pela empresa. Depois de colhidos, os pequenos fardos são levados para a carroça e, em seguida, para o galpão. Lá nós preparamos as varas, ou seja, prendemos as folhas em sarrafos de forma que, dentro do forno, elas fiquem penduradas para pegar o calor por inteiro. O processo de cura de cada fornada leva em torno de quatro dias e quanto mais alaranjada a folha ficar, mais qualidade ela terá. E isso representa maior rentabilidade.

Até 2019

Plantamos 70 mil pés de tabaco aqui na propriedade. Isso nos leva a uma projeção de até três meses de colheita, ou seja, essa etapa só termina no começo do ano que vem. Vale lembrar que o trabalho começou em maio, com o preparo dos canteiros onde produzimos as mudas.

Susto na lavoura

No segundo dia de colheita estávamos entre quatro pessoas trabalhando na lavoura quando alguém avistou uma cobra muito bem acomodada junto a um pé de tabaco. Era uma cruzeira de porte médio, espécie relativamente comum aqui no interior de Santa Cruz. Esse tipo de situação não é rara na colônia, mas sempre dá um frio na barriga. Isso só ajuda a mostrar que precisamos estar sempre atentos no trabalho. No vídeo desta semana, que está disponível abaixo e na página Fumicultores do Brasil, eu mostro como foi essa situação. Ótima semana! Assista ao vídeo da cobra no Portal Gaz (cliquei aqui).

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