Philip Morris: o futuro da maior empresa de Santa Cruz

Texto: Michelle Treichel, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – No dia em que a Philip Morris Brasil (PMB) comemorou 45 anos de atuação no País, o novo presidente nacional da companhia, Manuel Chinchilla, falou nessa sexta-feira pela primeira vez sobre os desafios e oportunidades que a maior empresa de Santa Cruz do Sul tem pela frente. No cargo desde agosto, o hondurenho recebeu a imprensa na unidade local juntamente com o diretor de Assuntos Corporativos, Fernando Vieira, e o diretor de Operações, Alejandro Okroglic. Após uma rápida visita à fábrica e aos laboratórios, os executivos reiteraram o compromisso da Philip Morris em manter o foco no tabaco.

Uma iniciativa global da Philip Morris International (PMI) visa substituir gradativamente a venda de cigarros no mundo, oferecendo aos adultos fumantes alternativas de risco reduzido. O IQOS, produto de tabaco aquecido, já é vendido em 42 países e consumido por quase 6 milhões de pessoas. Apesar disso, Chinchilla garante que não haverá impactos para os fumicultores a curto e médio prazos. “Um futuro sem fumaça não significa um futuro sem tabaco”, destaca, reiterando que a qualidade do tabaco brasileiro é considerada estratégica para a companhia.

A falta de regulação por parte da Anvisa impede a fabricação e venda do IQOS no Brasil. Apesar disso, Alejandro Okroglic reforça que a empresa sonha com uma fábrica “dual” no País – que produza cigarros convencionais e os heets (cigarros utilizados no dispositivo eletrônico). Os investimentos para a adaptação de unidades em cinco países giram em torno de US$ 1 bilhão. A de Santa Cruz, considerada uma das mais completas da companhia no mundo, está sendo preparada para a produção de maços de cigarro com menos de 20 unidades e, no futuro, tende a ser uma fábrica “dual”.

Sustentabilidade

A preservação dos recursos naturais e a promoção da segurança e da saúde dos produtores de tabaco do Sul do Brasil estão no centro das iniciativas desenvolvidas pela Philip Morris Brasil. Conforme a empresa, a busca é pela proteção do ambiente e sustentabilidade da cultura do tabaco. Dentre as ações desenvolvidas está a preocupação com os recursos hídricos. A unidade de Santa Cruz do Sul é a primeira fábrica do Brasil e da América Latina a ser certificada pela Alliance for Water Stewardship (AWS) em função do uso responsável da água. A certificação foi concedida durante o 8o Fórum Mundial da Água, realizado em março, em Brasília, e leva em consideração o uso racional da água nos processos internos da fábrica e também as iniciativas desenvolvidas junto à comunidade.

A unidade de Santa Cruz

A agenda da Philip Morris Brasil com a imprensa na manhã dessa sexta-feira incluiu uma visita à fábrica de Santa Cruz, que conta com 16 linhas de produção de cigarros. Entre oito e dez operam simultaneamente na maior parte do tempo. A unidade produz, em média, 8 mil cigarros por minuto (o equivalente a 400 carteiras) em um processo totalmente automatizado. A visita à empresa também passou pelo laboratório de pesquisa e desenvolvimento, considerado um dos três mais modernos e equipados da Philip Morris no mundo. Em 2013 foram investidos R$ 124 milhões para unificar as etapas produtivas e instalar esse laboratório, capaz de atender o mercado interno e também unidades de fora.

Curiosidades

  • As carteiras de cigarros da Philip Morris Brasil possuem selos fiscais produzidos e emitidos pela Casa da Moeda;
  • Todos os maços têm um código de rastreamento único, que permite sua identificação mesmo após saírem da fábrica;
  • Dos filtros utilizados nos cigarros produzidos em Santa Cruz, 90% são feitos na unidade local. A empresa importa apenas os filtros saborizados.

Empresa dialoga para liberar o produto de tabaco aquecido

Ao projetar os próximos 45 anos da Philip Morris Brasil, o diretor de Assuntos Corporativos, Fernando Vieira, destaca o esforço da empresa em buscar a introdução do IQOS no País. “A inovação sempre vem antes da regulamentação, mas o processo está em discussão junto às autoridades responsáveis”, explica. Para o dirigente, os 20 milhões de fumantes brasileiros deveriam ter o direito de escolha, em migrar ou não para um produto com risco reduzido. “É um paradoxo”, resume, referindo-se à postura da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Conforme Vieira, a regulamentação deve ser baseada em critérios científicos e não ideológicos. Nessa linha, lembra que todos os resultados da pesquisa envolvendo o IQOS, desenvolvida ao longo de mais de dez anos, estão abertos e disponíveis no site da PMI (www.pmi.com), tendo sido publicados e validados por revistas científicas conceituadas no mundo. Além disso, reconhece que o produto não é livre de riscos, mas ressalta que é direcionado para adultos fumantes. “No Japão, 98% das pessoas que migraram para o IQOS vieram de outras formas de uso do tabaco.”

Fábrica abastece mais de 174 mil pontos de venda

A PMB iniciou sua trajetória no Brasil em Santa Cruz do Sul no ano de 1973, com a Companhia de Fumos Santa Cruz. Depois de 45 anos, a unidade do município conta hoje com uma operação que engloba desde a produção de sementes de tabaco até a venda do produto final. A fábrica local centraliza a manufatura de cigarros da empresa desde 1999, sendo responsável por abastecer mais de 174 mil pontos de venda em todo o Brasil e nos mercados externos.

Hoje, a expectativa gira em torno da fabricação de embalagens com menos de 20 cigarros, destinadas para exportação. A partir da legislação aprovada recentemente no País, que viabiliza essa modalidade, a fábrica de Santa Cruz já se prepara para produzir nesse novo formato a partir de 2019. “São aspectos que têm o potencial de elevar a eficiência de nossa fábrica, gerando mais investimentos e desenvolvimento para a região”, considera o presidente da Philip Morris Brasil, Manuel Chinchilla.

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