Ouvidos atentos aos debates que ocorrerão na COP

 

Por: Romar Beling

Olhos bem abertos para a lavoura, na qual as plantas da nova safra crescem, e ouvidos atentos ao que ocorre na Suíça. Essa tende a ser a rotina dos produtores de tabaco do Sul do Brasil ao longo da próxima semana. É em Genebra, nas plenárias da 8ª Conferência das Partes (COP-8) da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT), iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que esse produto mais uma vez estará na mesa. O evento tem sua abertura prevista para a manhã de segunda-feira, seguida da primeira plenária com representantes de boa parte dos 181 países que ratificaram o acordo internacional.

Diretamente interessados nos debates na COP, líderes de várias entidades e organismos vinculados ao setor viajam ao longo deste fim de semana à Suíça. Ainda que pessoas ligadas à cadeia produtiva e industrial do tabaco não sejam admitidas nas plenárias, esses representantes buscam manter-se informados em tempo real do avanço nas discussões. E vários aspectos, tanto do comércio de cigarros quanto do estímulo à substituição do tabaco nas lavouras, sempre costumam ser aventados pela CQCT.

A proposta original da Convenção-Quadro é discutir meios de minimizar efeitos do cigarro sobre a saúde da população. Ao longo dos anos, diversas medidas foram implementadas, inclusive no Brasil, que adota uma das mais rígidas legislações sobre o tema. O gradativo incremento nos impostos incidentes sobre o cigarro, que elevaram o seu preço, foi compreendido como forma de inibir o consumo. No entanto, um efeito no País foi o forte avanço do mercado ilegal, abastecido por cigarro contrabandeado ou de origem informal.

Presença para acompanhar tudo de perto

Um ponto que a comitiva oficial do Brasil defenderá em Genebra, conforme antecipou à Gazeta do Sul Tânia Cavalcante, secretária executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro (Conicq), é uma maior atuação para combate ao mercado ilegal. Mas a mesma delegação propõe a retomada dos artigos 17 e 18 do documento, que se ocupam de alternativas à lavoura do tabaco e dos aspectos sociais e ambientais na produção. Logo, já não são temas atinentes só ao cigarro, mas que se ocupam do ambiente de produção.

Essa é uma das razões pelas quais representantes da cadeia produtiva veem como indispensável acompanhar de perto os debates em Genebra. A restrição à presença de pessoas ligadas ao setor do tabaco na COP é tão enfática que dos próprios jornalistas, ao buscarem o credenciamento para cobrir o evento, exigiu-se que declarassem não ter nenhum vínculo com o setor.

No entanto, se para a CQCT o lobby da cadeia do tabaco é entendido como ameaçador a qualquer discussão no ambiente da COP, o contrário vale para dezenas de organizações não governamentais. Representantes destas entidades movimentam-se com liberdade e transmitem a delegações oficiais dos governos orientações e propostas, buscando influenciar na definição de novas regras contrárias ao cigarro e ao tabaco.

A pressão antitabagista das ONGs é uma das motivações para que representantes do setor do tabaco busquem também se manter atentos e próximos da delegação oficial do Brasil em Genebra. Para o segmento, por se tratar de atividade formal e legal, submetida a todas as regras oficiais que o País implementou e adota, é uma forma de defender seus legítimos interesses. A Gazeta Grupo de Comunicações, por meio da Gazeta do Sul, da Rádio Gazeta e do Portal Gaz estará atualizando diariamente as informações a partir de Genebra, ao longo de toda a próxima semana. A cobertura da COP é patrocinada por Unisc, Sinditabaco, Afubra e Amprotabaco.

SAIBA MAIS

Após ter passado por países como Rússia e Índia, a 8ª COP ocorre em Genebra, na Suíça, onde fica a sede da Organização Mundial de Saúde (OMS). Genebra é a segunda maior cidade do país, com cerca de 200 mil habitantes, e apresenta elevado padrão de qualidade de vida.

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