ESPECIAL: OS CAMINHOS PARA O COLONO GANHAR MAIS

Vera Cruz/RS – O Dia do Colono e Motorista é comemorado em várias regiões do Sul do Brasil em 25 de julho. Porém, os produtores rurais de todo o Brasil festejam o Dia do Agricultor em 28 de julho, data que marca a fundação do Ministério da Agricultura, em 1860.

Daquela época até os dias de hoje muito mudou nas propriedades rurais de todo o País, tanto em tecnologia quanto em eficiência da produção. Os agricultores tornaram-se empresários do campo, tendo no planejamento e na administração da terra o caminho para aumentar os rendimentos da produção, com respeito às questões ambientais e sociais e importantes avanços nos padrões de qualidade de vida.

A tecnologia chegou às propriedades junto com as exigências do mundo moderno, principalmente relacionada a mercados e consumidores cada vez mais exigentes em relação à qualidade e aos padrões sustentáveis de produção. Desta forma, surge um novo desafio no agronegócio, em especial junto às propriedades rurais familiares, que necessitam desenvolver a capacidade para fazer uma gestão dos seus recursos, convertendo os produtores em empresários rurais.

No interior de Vera Cruz (RS), na localidade de Linha Henrique D’Ávila, o produtor integrado de tabaco Ismael Bastos Gomes, 30 anos, já entendeu o significado de gestão da propriedade. Participante do Programa Propriedade Rural Sustentável, desenvolvido pela Souza Cruz em parceria com as Federações da Agricultura e dos Trabalhadores na Agricultura no Sul do Brasil, o produtor tem à disposição ferramentas e capacitação para aprimorar os sistemas produtivos e a gestão da propriedade, com ênfase no desenvolvimento sustentável, planejamento de atividades, gestão financeira e respeito às questões socioambientais.

Gomes e Carminatti debatem a gestão na propriedade (foto: Junio Nunes/divulgação)

Gomes e Carminatti debatem a gestão na propriedade (foto: Junio Nunes/divulgação)

PLANEJAMENTO

De acordo com o gerente de Sustentabilidade em Produção Agrícola da Souza Cruz, Claudimir Rodrigues, o foco é exatamente pensar e planejar a propriedade rural familiar no seu todo. “Além de capacitar os produtores parceiros participantes do Programa, oferecemos uma assistência técnica especializada e capacitada, praticamente como uma consultoria, com o uso de ferramentas de gestão e de informática tanto pelo corpo técnico da empresa como pelos produtores”, afirma Rodrigues.

Desde que começou a participar do programa, Gomes já viu os resultados deste trabalho. “Eu já tinha um certo controle das minhas contas, mas depois que recebi as orientações de planejamento financeiro, vi que havia muito mais a administrar”, comenta. Com o acompanhamento do orientador agrícola Gilberto Carminatti, o produtor passou a planejar todas as atividades, as despesas com a produção e o salário mensal da família. A partir do planejamento e da administração, Gomes tem melhorado a qualidade e a produtividade do seu produto final. “Melhorando a qualidade do tabaco produzido, ganho mais na comercialização”, argumenta.

Para o produtor, a tecnologia diminui a possibilidade de erro. “É preciso profissionalismo para encarar a propriedade como uma empresa. Hoje sei que sem planejamento e administração não dá.” Outro exemplo de planejamento vindo da família Gomes é o registro da propriedade no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que fez com facilidade com auxílio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vera Cruz. Até a comunicação entre produtor e orientador não se restringe apenas às visitas e contato telefônico. Gomes aproveita toda a tecnologia à disposição e utiliza as redes sociais para tirar dúvidas sobre o dia a dia na propriedade.

PRODUÇÃO

Da propriedade de 11 hectares é que a família retira o sustento. Em 3,6 hectares há a produção de tabaco que gerou, na safra 2014/15, 11.700 quilos. Para a próxima safra, Gomes já produziu as 60 mil mudas, mesmo número do ano anterior. A lavoura só aguarda o plantio dos pés de tabaco, já que o planejamento e o preparo do solo foi executado com antecedência a partir da análise da fertilidade, descompactação, calagem, plantio de adubação verde e confecção dos camalhões altos de base larga.

Para o trato dos animais, produz milho em um hectare. O cultivo de eucalipto para a produção de lenha pode ser visto em 2,5 hectares de terra, enquanto que a mata nativa preenche outros dois hectares. Para o consumo de carne, a família cria algumas cabeças de gado, porcos e galinhas. O leite também é produzido na propriedade, assim como os ovos que, quando em abundância, são vendidos aos vizinhos para incrementar a renda familiar.

Esta diversificação de atividades vai ao encontro dos objetivos do programa, de desenvolver e capacitar as famílias com uma visão de que sua propriedade deva ser um modelo de agronegócio familiar, considerando o próprio tabaco como uma alternativa sustentável de diversificação de culturas, uma vez que na grande maioria dos casos, esta é a principal cultura e a mais rentável nas propriedades integradas.

Four Comunicação
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