O que pode mudar na hora da classificação

Santa Cruz do Sul/RS – Uma proposta apresentada esta semana na Câmara dos Deputados pretende fazer com que o fumicultor tenha mais protagonismo na venda do tabaco. Por enquanto o tema tramita nas comissões internas da Casa e não há previsão de quando vai a votação.

Pelo projeto dos deputados Sérgio Moraes (PTB) e Heitor Schuch (PSB), o processo de compra e entrega do fumo deve ocorrer direto nas propriedades. A sistemática proposta é diferente da que ocorre hoje, em que as empresas recolhem o tabaco e fazem a classificação nas esteiras da indústria, por vezes gerando insatisfação dos produtores.

Segundo Moraes, a proposta atende à demanda dos fumicultores. “Existe um acordo firmado entre as entidades e as empresas sobre o preço, mas quando o fumo chega na esteira, a qualidade é reduzida e cai o preço. A empresa não se nega a pagar, mas desqualifica o produto e o preço cai. Então temos que mudar isso”, argumenta. O deputado Heitor Schuch lembra que a proposta passou por mudanças, mas segue a linha do que era defendido por Adão Preto, parlamentar já falecido.

Schuch acrescenta que o projeto, se aprovado, passará a valer em todo o País e não apenas no Rio Grande do Sul, conforme proposta semelhante apresentada na Assembleia Legislativa. Se a regra entrasse em vigor apenas no Rio Grande do Sul, poderia estimular as indústrias a buscarem áreas para instalação em outros estados, gerando perdas para a economia gaúcha e também regional. “O projeto (apresentado na Câmara dos Deputados) não privilegia um Estado ou outro”, comenta.

Embora o teor da proposta seja conhecido há anos pelo setor, Sérgio Moraes lembra que dois fatores motivaram a apresentação: o baixo preço pago pelo tabaco na safra 2014/15 e a ausência do presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) em uma audiência pública realizada no mês de maio, em Camaquã. Esse conjunto de fatores, conforme o deputado, “irritou os parlamentares e os colonos”.

Para o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, a proposta dá condições para que os produtores de tabaco possam negociar o produto. “É mais tranquilo e vantajoso para o produtor se está sendo comprado na propriedade”, analisa. No entanto, pondera que é preciso acertar questões ligadas à venda de forma que todos os fumicultores possam vender o tabaco. “Vejo com bons olhos esse projeto no sentido que termina a discussão na esteira e a despesa para vender a outra empresa.”

Linha de processamento de tabaco em Venâncio Aires (foto: divulgação)

Linha de processamento de tabaco em Venâncio Aires (foto: divulgação)

O QUE DIZ A INDÚSTRIA

O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, revela preocupação com o projeto. Ele afirma que as empresas precisariam de uma estrutura maior e teriam de reorganizar a logística, que vem dando certo, para cumprir o que determina a proposta. Além disso, destaca que precisam ser levadas em conta questões técnicas, a começar pela necessidade de balanças aferida pelo Inmetro.

Hoje o equipamento está disponível nos pontos de compra e venda, mas ele pergunta se seria necessário instalar nas propriedades. “Se houver aumento de custo, toda a cadeia produtiva acaba tendo custos. O projeto é muito mais complexo do que parece”, sustenta.

Schünke ressalta que o sistema integrado entre produtores e empresas vem dando certo ao longo das décadas e ressalta que essa integração entre as partes é a base do sucesso do produto no mercado internacional. Essa via de mão dupla, segundo explica, inclui garantia de compra, assistência técnica e facilidade de acesso ao crédito. “Por meio do sistema integrado, o produtor usa insumos adequados para produzir o tabaco de acordo com o mercado internacional em termos de qualidade e integridade do produto”, ressalta.

Marília Gehrke
mariliagehrke@gazetadosul.com.br
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