O que o setor fumageiro pediu à ministra na Expointer

Esteio/RS – A cadeia produtiva do tabaco teve importante agenda com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, nessa sexta-feira, durante sua visita oficial à 38ª Expointer, em Esteio. O encontro aconteceu no início da tarde na Casa da Farsul, no Parque de Exposições Assis Brasil. Dirigentes da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS) e Federação da Agricultura do RS (Farsul), juntamente com demais lideranças que defendem os interesses dos fumicultores, entregaram à representante do governo federal pedido para que o Mapa intervenha na fiscalização nas esteiras. O documento oficial solicita que o ministério assuma e efetive um convênio com as entidades que acompanham a entrega do fumo na indústria para dinamizar o processo de compra e venda.

No Rio Grande do Sul, o trabalho de acompanhamento nas esteiras é feito pela Emater/RS-Ascar, que não tem poder de fiscalização sobre a classificação. O mesmo acontece em Santa Catarina e Paraná, onde o contrato da Afubra é com a Cidasc/SC e Codapar/RS. A ideia é que os fiscais desses órgãos possam efetuar a intermediação dos negócios entre produtores e empresas, tendo autonomia para fiscalizar as operações. A demanda é justificada diante das crescentes reclamações nos momentos de comercialização das safras de tabaco, como os impasses registrados no ciclo 2014/2015. “A maioria dos produtores saiu insatisfeita com o preço praticado no processo de compra e venda, alegando que os valores oferecidos não correspondiam a sua expectativa”, destaca o texto entregue à ministra.

Dirigentes do setor foram recebidos pela ministra Kátia Abreu (foto: Lula Helfer/Gazeta do Sul)

Dirigentes do setor foram recebidos pela ministra Kátia Abreu (foto: Lula Helfer/Gazeta do Sul)

As entidades que representam os produtores de tabaco na Região Sul ainda solicitaram que o Ministério da Agricultura assuma os custos financeiros do acompanhamento e fiscalização da compra e venda do produto nas empresas. Atualmente essas despesas são custeadas pelos próprios agricultores, por intermédio da Afubra. A magnitude da cultura do tabaco igualmente foi apresentada em documento para Kátia Abreu e reforçada verbalmente pelas lideranças: o Brasil é o maior exportador mundial de tabaco e o segundo maior produtor brasileiro; a cultura é produzida em 651 municípios, por mais de 153 mil famílias somente na Região Sul; o segmento emprega direta e indiretamente 2,1 milhões de brasileiros.

De acordo com o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, a ministra se comprometeu em criar um grupo de trabalho para deliberar sobre as propostas requeridas pelo setor. A ideia é que as entidades que defendem os fumicultores sejam acionadas posteriormente para analisar de que maneira a questão pode ser legalmente solucionada. O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, Airton Artus, ressaltou que, durante uma recente reunião com as câmaras setoriais, Kátia Abreu já havia se mostrado bem favorável à causa, entendendo a importância do setor econômica e socialmente. “Eu acredito que o mais importante é que, em uma visão global, ela se posiciona a favor do tabaco, ao contrário de outros segmentos do governo que são opositores da nossa causa”, frisou o prefeito de Venâncio Aires.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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