O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA LAVOURA?

Darci José da Silva

Darci José da Silva

Santa Cruz do Sul/RS – O inverno se aproxima da região Sul do Brasil e o tabaco da safra 2014/15 foi todo devidamente colhido, armazenado nos galpões e agora está em fase de comercialização. No intervalo entre uma temporada e outra, afinal, o que estará acontecendo nas lavouras reservadas para essa cultura nas pequenas propriedades?

O assessor técnico do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Darci José da Silva, sinaliza com a resposta. “A orientação expressa é para que, dentro do possível, todas elas estejam com algum tipo de cobertura verde”, assevera. “Tão logo o tabaco foi colhido, o ideal é que os agricultores tenham providenciado algum cultivo que, ao longo dos meses do inverno, ajudará na proteção e na conservação do solo”.

Darci lembra que práticas conservacionistas, como o plantio direto ou o cultivo mínimo, hoje são largamente adotadas na cadeia produtiva. Por esse modelo, após a conclusão da colheita do tabaco, os produtores costumam fazer a subsolagem da área, rompendo o solo numa linha em profundidade de 40 a 50 centímetros e, em sequência, se necessário, refazem os camalhões altos sobre os quais será plantado o tabaco.

Esses camalhões são permanentes, não precisando ser refeitos todo ano, mas tendem a se desmanchar, por exemplo, após três ou quatro safras, de maneira que é preciso refazê-los. Com os camalhões prontos, é realizada a semeadura de alguma variedade de cobertura verde de inverno. Assim, toda a estrutura estará pronta para, na hora do transplante das mudas, e tendo sido feita a dessecação da espécie de inverno com herbicida, iniciar-se uma nova safra.

PROTEGER O SOLO É FUNDAMENTAL

Entre as plantas de cobertura mais adotadas na região fumageira constam, por ordem, aveia, milheto, mucuna (esta no verão), ervilhaca, centeio e crotalária. Em muitos casos, os produtores cultivam milho após o tabaco, assegurando uma atividade que repercute muito positivamente na propriedade, usando-a como pastagem para os animais ou no auto-abastecimento do cereal nas demandas das criações de aves, suínos, gado de corte ou de leite. Alguns obtém receita extra com a venda do grão.

Em geral, o milho é plantado quando o tabaco sequer foi todo retirado da lavoura. Assim, tão logo a colheita se encerre, o milho já estará em bom tamanho e, desimpedido, aproveitará ao máximo a luz do sol para agilizar o crescimento. “Hoje, há no mercado muitas opções de sementes super precoces de milho, que favorecem esse cultivo tardio”.

O que não é indicado, adverte Darci, é permitir a entrada de gado nas lavouras de tabaco durante a entressafra. “Os animais, por serem muito pesados, causam compactação tão forte que isso se torna muito prejudicial ao desenvolvimento do tabaco”, comenta. “Em virtude do peso deles sobre o solo em dias úmidos, a subsolagem não dá conta de descompactar.” Segundo ele, o importante no período é só manter o solo protegido, e deve-se evitar desgastá-lo justamente quando deveria estar sendo recuperado após uma safra recém-concluída.

Conforme Darci, são imensas as vantagens em tão somente manter a terra com cobertura na entressafra. “Isso protege contra a erosão, favorece a quebra do ciclo de pragas e doenças e auxilia na proliferação dos microorganismos que fertilizam o solo, que ajudam a reestruturá-lo à perfeição, assegurando qualidade e boa produtividade na temporada seguinte”, enumera.

Milho é uma das culturas mais utilizadas na entressafra do tabaco (foto: Lula Helfer/Editora Gazeta)

Milho é uma das culturas mais utilizadas na entressafra do tabaco (foto: Lula Helfer/Editora Gazeta)

Romar Beling
romar@editoragazeta.com.br
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