No interior de Santa Cruz, o solo também é bem tratado

Por: Michelle Treichel, Jornal Gazeta do Sul

O solo é a base para a produção de alimentos e, mais do que isso, serve como filtro e reservatório de água. Cada vez mais, esse recurso é considerado imprescindível para a sustentabilidade do planeta. O fumicultor Joel Junkherr compreende bem essa premissa e é referência na conservação do solo em sua propriedade, em São José da Reserva, no interior de Santa Cruz do Sul. Na área de 11 hectares, adota práticas conservacionistas que ajudam a prevenir erosão, economizar recursos hídricos e potencializar os resultados produtivos da lavoura de tabaco.

Durante a 20ª Expodireto Cotrijal, em março, o produtor foi um dos agraciados com o troféu Agricultor Conservacionista do Solo e Produtor de Água – reconhecimento pelo trabalho conduzido na área em que planta 270 mil pés de tabaco, onde o solo é protegido com duas palhadas a cada safra. Logo após a colheita, Junkherr faz os camalhões e semeia capim sudão ou milheto. Quando as plantas estão desenvolvidas, depois de dissecar a área, implanta a segunda cobertura com aveia preta. “O plantio direto na palhada é o mais eficiente na proteção do solo”, garante.

Além do aspecto conservacionista, uma vez que evita a erosão, a tecnologia propicia redução no uso de combustíveis fósseis, diminuição na mão de obra e aumento da rentabilidade do produtor por meio da redução de custos. “Temos uma economia de 20% a 30% em adubação”, revela Junkherr. Através do sistema, evita-se o revolvimento do solo, preservando integralmente a palhada dos cultivos de cobertura. De acordo com o agricultor, essas práticas também têm contribuído positivamente para a qualidade do tabaco, com folhas mais encorpadas e com menos impurezas.

A preservação da palhada ainda potencializa a fertirrigação por gotejamento e contribui para a economia de água, uma vez que mantém a umidade em períodos de estiagem. Atualmente, Joel Junkherr, de 48 anos, cultiva 100 mil pés de tabaco com irrigação, com água do conservatório da própria unidade familiar, onde proteção ambiental é assunto levado a sério. “Nossas áreas de mata nativa são protegidas, assim como as nascentes de água”, conta. Ao lado da esposa Alexandra, do filho mais velho Gustavo e da nora Greice, também produz a própria lenha usada na cura do tabaco.

Modelo

A propriedade da família Junkherr é apresentada como referência pela empresa a que é integrada. Joel, que se dedica à fumicultura há mais de 30 anos, está acostumado a receber visitas de todo o País e do exterior para conhecer seu modelo de gestão sustentável. A primeira estufa utilizada para cura do tabaco hoje foi transformada em museu, com direito até a retroprojetor. No espaço, é possível conhecer um pouco da fumicultura no Brasil e de todas as práticas adotadas na unidade familiar. Dentro da gestão sustentável estão as novas estufas elétricas, que proporcionam economia de lenha, mais segurança e menos mão de obra, além de contribuir para a qualidade do tabaco.

Em alta

Algumas práticas previnem a erosão e são cada vez mais aplicadas pelos produtores da agricultura familiar, caso da fumicultura. Vista com bons olhos pela indústria de tabaco, a preservação do solo e o uso de métodos conservacionistas crescem com a adoção de técnicas como o plantio direto e cultivo mínimo. Segundo pesquisa com as empresas associadas ao Sinditabaco, 65% dos produtores integrados utilizam essas práticas de manejo do solo em suas lavouras. Além disso, a maioria deles também adota outros procedimentos, como plantio em nível e terraceamento.

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