Negociação do preço do tabaco começa em dezembro

Santa Cruz do Sul/RS – A negociação do preço do tabaco para a safra 2014/15 deve começar na primeira semana de dezembro. Conforme o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, este ano as entidades representativas dos produtores optaram em adiar um pouco o início das tratativas com as empresas, especialmente para diminuir gastos de deslocamento e hospedagem das federações de Santa Catarina e Paraná – já que os debates tendem a se estender até janeiro ou fevereiro. Para o atual ciclo, a esperança é fechar acordo com a indústria, o que não aconteceu na etapa anterior.

“Nosso posicionamento depende muito do percentual de reajuste que conseguirmos junto às empresas. Para assinarmos um acordo, deve ser um aumento que agrade e remunere o produtor”, ressalta o dirigente. Na safra passada, as rodadas de articulação se estenderam até 24 de janeiro deste ano, sem consenso entre as partes envolvidas. Na época, a representação do campo chegou a reduzir o índice inicialmente proposto, de 11,7% para 10%, mas o valor ficou longe das ofertas das companhias, que em sua grande maioria estipularam aumento de 6% sobre os antigos preços.

COLHEITA AVANÇA

O anúncio do começo das negociações chega no período em que a colheita avança no baixo Vale do Rio Pardo. Na microrregião de Santa Cruz do Sul, a Afubra estima que pelo menos 22% do tabaco já foi colhido. Werner destaca que, de maneira geral, as folhas retiradas das lavouras até o momento apresentam uma qualidade superior à registrada no ano passado. “O clima tem ajudado a cultura, mas ainda é muito cedo para julgar. O fumo de maior mercado é a partir da posição C do pé, que deve começar a ser colhido com intensidade a partir da próxima semana.”

Nos municípios da parte alta da região, onde o plantio ocorre mais tarde em função do frio, as famílias ainda não abriram a temporada de colheita. Na parte Sul do Estado, o trabalho nas lavouras também segue em ritmo lento, igualmente devido ao clima ameno. Na região de Canguçu, segundo maior produtor brasileiro de fumo, a colheita atinge aproximadamente 12% ao final da primeira quinzena deste mês. Como tradicionalmente acontece, a zona litorânea de Santa Catarina, próximo a Araranguá, é a mais adiantada no processo, com aproximadamente 60% do tabaco retirado das áreas produtoras.

BOA QUALIDADE

Na localidade de Linha João Alves, em Santa Cruz, o casal Konzen está otimista com os resultados da safra 2014/15. A colheita dos 72 mil pés começou em meados de outubro e já garantiu seis fornadas. “Se o tempo colaborar, queremos terminar a primeira apanhada semana que vem”, explica a produtora Rosane Maria. Aos 55 anos, ao lado do marido Ivo José Konzen, de 56, ela espera aumentar a média de venda do último ciclo, quando atingiram R$ 128,00 por arroba. “O fumo está de excelente qualidade”, comemora. A tendência é que o trabalho na lavoura dos fumicultores siga até o final de fevereiro.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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