Momento de olhar para o futuro

Caderno Produtor de Tabaco – Jornal Gazeta do Sul – Edição Dejair Machado

Os últimos dias foram de discussões acerca dos rumos da atividade fumageira. Reunidos em Santa Cruz do Sul, integrantes da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), trataram de assuntos como mercado, oportunidades e desafios que o setor vem enfrentando, bem como as perspectivas para a produção.

Em sua 33ª edição, a assembleia da ITGA foi um momento de refletir a respeito da atividade que serve de base para boa parte dos municípios do Vale do Rio Pardo. Presidente da Afubra, Benício Werner ressalta a importância de se organizar em torno da manutenção da cultura, mas sem deixar de se olhar para os impactos e riscos decorrentes das medidas antitabagistas. Para ele, os movimentos em torno da defesa da atividade devem ser reforçados a fim de assegurar sua manutenção.

Entrevista: Benício Werner, presidente da Afubra

Gazeta do Sul – Em meio às discussões referentes a políticas antitabagistas que podem resultar em uma redução de consumo de cigarros e naturalmente de tabaco, como a Afubra avalia o momento atual para os produtores?

Benício Werner – Para nós está muito clara a preocupação acerca do futuro da atividade produtiva. Sempre se fala contra o cigarro, mas afinal de contas o tabaco serve para quê? Se vão combater o cigarro estarão também combatendo a produção e os produtores.

Gazeta – Diante de tudo o que aconteceu nos últimos anos, em especial após a ratificação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, identificou-se queda no consumo de cigarros?

Werner – Esse cenário de diminuição do consumo está realmente acontecendo. Agora no Brasil, estatisticamente se fala na diminuição maior que em outros países. No meu entender, está sendo observado tão somente a queda de consumo de cigarro legal, que é um percentual muito grande. Mas se levarmos em conta o cigarro ilegal, o percentual de redução é bem menor, ou talvez até possa ter havido aumento de consumo. Contudo, como não se tem uma estatística mais precisa sobre o produto ilegal, fica difícil precisar. Fala-se que o consumo de cigarro ilegal chega a 48% no Brasil.

Gazeta – Neste cenário, fala-se muito da diversificação, mas também já se comentou a respeito da reconversão. Isso seria possível?

Werner – A diversificação é um caminho importante para o produtor. Mas reconversão, como já se falou, não existe no momento qualquer possibilidade. Porque faltam culturas, ou atividade que não seja a agricultura, que possa substituir a receita financeira que o tabaco traz. Outro fator a ser levado em conta é relacionado à logística e ao mercado, porque se não tiver estas duas últimas, seríamos irresponsáveis em falar em produção alternativa ao tabaco.

Gazeta – Entre seus argumentos, a OMS fala dos riscos oferecidos pelo tabaco à saúde. Até que ponto isso tem interferido na cadeia produtiva?

Werner – Nós como produtores temos dificuldade para entender o porquê da radicalização dos antitabagistas e da OMS contra o tabaco, pois se olharmos as notícias, vemos dados sobre mortes em números iguais ou até maiores que os divulgados pela OMS. Tomamos por exemplo a poluição nas grandes cidades, que a própria OMS fala em mortes prematuras de até 7 milhões de pessoas. E lendo, pouco ou quase nada se vê de providências para frear a poluição causada principalmente pelos combustíveis fósseis.

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