Menos valor, mais competitividade para o tabaco

numerosSanta Cruz do Sul/RS – A indústria gaúcha fechou 2015 com queda de 9% nas exportações, segundo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). No valor embarcado, um dos segmentos mais prejudicados foi o tabaco, com queda de 15,3% em comparação a 2014. Em contrapartida, o volume comercializado foi maior: 391 mil toneladas em 2015, contra 364 mil em 2014. O desempenho foi semelhante no Sul e em nível de Brasil.

Em 2015, na comparação com 2014, foram exportados US$ 289 milhões a menos pela indústria do tabaco: R$ 1,6 bilhão no ano passado e R$ 1,88 bilhão no ano anterior. O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, explica que os números revelam aspectos positivos e negativos. Se por um lado a desvalorização do real diante do dólar implica menor valor exportado, de outro amplia a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Além disso, a maior concentração de toneladas exportadas em 2015 pressupõe a liberação dos estoques na indústria, mas não significa, necessariamente, que houve maior produção nas lavouras de fumo. De maneira geral, as vendas do tabaco são fechadas no primeiro trimestre – por isso, para a indústria fumageira interessa mais o câmbio nesse período do ano – e embarcadas com mais intensidade entre julho e outubro. Nos três primeiros meses de 2015, a moeda americana ainda estava longe de atingir o patamar dos atuais R$ 4,00, o que é ruim para os setores que mais exportam.

Conforme o presidente da Fiergs, Heitor José Müller, o tabaco, o setor de alimentos e químicos estão entre as categorias mais afetadas pela redução das mercadorias em dólar. O Rio Grande do Sul encerrou 2015 com queda nas exportações totais, que incluem as commodities: foram US$ 17,52 bilhões, 6,3% a menos do que os US$ 18,69 bilhões de 2014.

O desempenho da indústria em 2016 ainda é uma incógnita. Se a alta do dólar de fato se mantiver, conforme as projeções, a tendência é que os segmentos de exportação tenham bom desempenho, mas é preciso lembrar que os insumos por vezes também são adquiridos em dólar. O presidente do Sinditabaco diz que é cedo para fazer previsões sobre o mercado. Detalhes serão conhecidos após pesquisa da empresa Pricewaterhouse Coopers (PwC).

Marília Gehrke/Gazeta do Sul
mariliagehrke@gazetadosul.com.br

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