MEGAOPERAÇÃO DESMONTA FRAUDES COM TABACO

Uno_1Santa Cruz do Sul/RS – Uma operação de grande porte desarticulou ontem um sofisticado esquema criminoso envolvendo o setor fumageiro e que tinha o Vale do Rio Pardo como uma de suas bases. Ao todo, sete pessoas foram presas pela Polícia Federal acusadas de exportação ilegal de tabaco e contrabando de cigarros, dentre outros. O impacto das fraudes sobre os cofres públicos é estimado em nada menos que R$ 2,3 bilhões. O Brasil perde, por ano, pelo menos R$ 6 bilhões em impostos com o contrabando de cigarros.

A investigação da chamada Operação Huno, que teve início em setembro de 2014, constatou casos em que fumo beneficiado por indústrias locais era repassado, à margem da Receita Federal, para cigarreiras no Paraguai. Em outros casos, os destinos eram fábricas clandestinas na Região Sudeste (veja boxe). Três empresas da região estão envolvidas, mas os nomes não foram confirmados pela PF. Dentre as empresas que foram alvos de mandados ontem, estão a International Tobacco Business (ITB), de Vera Cruz, e a Real Tabacos, de Venâncio Aires.

A operação foi deflagrada simultaneamente em sete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pará. Segundo relatório divulgado pela PF, foram duas prisões em Santa Cruz do Sul, uma em Venâncio, uma em Arroio do Tigre, uma em Cascavel (PR), uma em Foz do Iguaçu (PR) e uma no Rio de Janeiro. As identidades dos presos não foram reveladas. Todos eles foram encaminhados à Delegacia da PF em Santa Cruz.

Segundo o delegado Gustavo Schneider, foram identificados diversos grupos criminosos e ainda não é possível afirmar se todos atuavam de forma interligada. Estima-se que os crimes venham sendo cometidos há mais de uma década. Schneider garante ainda que as evidências levantadas pela investigação são contundentes. “Não temos dúvida alguma. Existem provas cabais do que estamos afirmando”, disse. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.

UM MARCO

A Operação Huno é apontada como um marco no combate ao comércio irregular de fumo no País. Embora o trabalho de repressão seja constante, esse foi o primeiro esquema criminoso identificado que compreendia todas as instâncias da cadeia produtiva do tabaco, desde a aquisição de matéria-prima de agricultores até a distribuição de cigarros. “É uma operação pioneira e aponta caminho para investigações futuras”, avaliou o delegado Schneider. O que também chama a atenção na operação é o impacto econômico das fraudes desvendadas. Em apenas uma das empresas investigadas, a sonegação fiscal em 2014 foi superior a R$ 200 milhões, o que equivale a 1,1 milhão de quilos de tabaco processado e 84 milhões de maços de cigarros. “A operação terá reflexo nas searas penal, fiscal e na recuperação de créditos da União”, acrescentou. Os líderes da investigação também fizeram elogios ao esforço de articulação entre os órgãos.

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POR QUE UNO?

A operação foi batizada de “Huno” como metáfora relacionada com as atividades da organização criminosa – em virtude do registro histórico da confederação eurasiática de nômades hunos, que ocuparam ampla vastidão territorial através de alianças e assolaram o Império Romano com saques e pilhagens. De outro lado, o nome da operação tem a mesma fonética de “Uno”, em alusão à integração dos servidores de três diferentes instituições em um objetivo persecutório único: desarticular o esquema criminal, lançando tributos e garantindo a execução fiscal.

Pedro Garcia/Gazeta do Sul
pedro.garcia@gazetadosul.com.br
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