Mais de metade da safra de tabaco já foi comercializada

Santa Cruz do Sul/RS – A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) calcula que aproximadamente 60% da produção de tabaco da variedade Virgínia já foi negociada na safra 2014/15 no Sul do Brasil, o que equivale a 360,9 mil toneladas da estimativa produtiva de 601,6 mil toneladas. Para a variedade Burley, a entidade aponta venda de 59 mil toneladas – em torno de 71% da previsão de safra para o período, de 83,2 mil toneladas. O índice de venda do tabaco tipo galpão comum, cuja projeção é de 11 mil toneladas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, está em 62% – aproximadamente 6,8 mil toneladas.

Segundo o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, o avanço da venda do produto é acompanhado pelos avaliadores, que pesquisam junto aos fumicultores diretamente nas propriedades. Ao longo desse ciclo, já foram visitadas 1.480 famílias. Apesar da crise no setor, a quantidade comercializada é considerada normal e equivalente ao ano passado. “Estamos além da metade do período da venda. Daqui para a frente, o produtor começa a se preocupar com a preparação da próxima safra e deve se empenhar em comercializar com mais rapidez”, salienta.

O dirigente ressalta que a constante pressão das entidades representativas e instituições públicas junto à indústria tem contribuído para um leve aumento nos preços. Nas últimas duas semanas, a Afubra contabiliza que a média por quilo de tabaco, considerando as três variedades, aumentou R$ 0,02, ficando em R$ 7,32 por quilo. “A valorização do produto tem tido uma sensível melhora”, diz. Para adequar a produção à demanda e contribuir com essa valorização, no final de abril a comissão dos fumicultores manteve uma série de reuniões com as empresas, quando foi definida a necessidade de reduzir o tamanho da próxima safra em 12% para o Virgínia, mas sem interferir na estruturação da cadeia produtiva.

O secretário da Afubra e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, Romeu Schneider, ainda reforça a preocupação dos produtores com a redução no interesse de compra de Burley pelas empresas do setor. As dificuldades de mercado são a principal alegação da indústria, já que hoje o aproveitamento desse tipo de tabaco ainda está incerto no País. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 14 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a adição de açúcar na fabricação de cigarros – já que o Burley perde seu açúcar no decorrer do processo de cura.

No entanto, para se tornar aproveitável, a variedade precisa de outros aditivos que não estão previstos na normativa. Para proteger a agricultura familiar, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a validade da RDC 14, que ainda aguarda pela análise do mérito da questão. A recomendação da Afubra é para que o campo diminua, no mínimo, 20% do plantio de Burley para a próxima safra. “Nos últimos três anos, os produtores já reduziram a produção em 30 mil toneladas”, explica. Em 2014, os fumicultores colheram 95 mil toneladas de Burley. Este ano, a previsão é de que a safra não ultrapasse 84 mil toneladas.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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