Lideranças analisam rumos para fortalecer a pequena propriedade

Por: Romar Beling, romar@editoragazeta.com.br

Bento Gonçalves/RS – O debate acerca das perspectivas da agricultura familiar em um mundo digital mobilizou cerca de 60 lideranças da região Sul do Brasil nessa terça-feira, 24, ao longo de todo o dia. Por iniciativa da empresa Souza Cruz, representantes de entidades e organismos reuniram-se em auditório no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, para avaliar a sucessão rural e possíveis caminhos para fortalecer as pequenas propriedades. No fim da tarde, a partir das reflexões, os participantes foram convidados a projetar uma agenda conjunta que possa favorecer o futuro no campo.

A atividade foi aberta às 8 horas, com as boas-vindas apresentadas pelo diretor de Tabaco da Souza Cruz, Marcos Salvadego. E a primeira explanação coube a alguém que tem profundo conhecimento da realidade do setor, o secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Schwanke. Ele lembrou que o agronegócio responde por 21,14% do Produto Interno Bruto (PIB) e por cerca de US$ 102 bilhões das exportações brasileiras, 42,4% de tudo o que o País negocia para o exterior, e a agricultura familiar tem papel relevante para tal contexto de produção.

Já a jornalista Kellen Severo, do Canal Rural, abordou os desafios e as oportunidades no agronegócio 4.0, como tem sido chamada a produção rural que adota recursos de última geração, incluindo ferramentas e maquinários e equipamentos de controle digital.

Na parte da tarde, representantes da própria cadeia do tabaco avaliaram obstáculos para a continuidade da produção e dos mercados, bem como iniciativas, em programas e ações que sinalizam com alternativas de mudanças positivas. A gerente de Planejamento Estratégico da Souza Cruz, Rita Peixoto, por exemplo, dimensionou a grande ameaça que hoje representa para todo o setor do tabaco o crescimento na participação do cigarro ilegal no mercado brasileiro. Esses produtos ilícitos, em especial as marcas contrabandeadas, representam 57% do comércio interno. “O Brasil tem o maior volume de mercado ilegal de cigarro do mundo”, observou.

As novidades na área do ensino superior foram tema da palestra A educação na era digital, proferida pelo vice-reitor da Unisc, Rafael Frederico Henn. Posteriormente, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, apresentou a experiência exitosa do Instituto Crescer Legal no esforço da cadeia produtiva para combater o trabalho infantil no meio rural. Por fim, a gerente do Instituto, Nádia Solf, detalhou as ações de incentivo à formação realizadas junto a turmas de jovens das regiões produtoras de tabaco.

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