Jovens aprendizes de Venâncio Aires são certificados em Gestão Rural

Venâncio Aires/RS – A terceira turma a concluir o curso “Empreendedorismo em Agricultura Polivalente – Gestão Rural” recebeu a certificação nesta terça-feira, 26 de setembro, em Venâncio Aires. O evento realizado na Câmara de Vereadores contou com a participação de 130 pessoas, entre familiares dos 18 jovens formandos, autoridades, parceiros do Instituto, bem como associados e educadores da entidade.

O curso faz parte do projeto-piloto do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, criado com base na Lei da Aprendizagem com objetivo de oportunizar uma formação teórica e prática para a atuação empreendedora e cidadã dos jovens do campo. Em Venâncio Aires, as atividades iniciaram no dia 15 de agosto de 2016 e foram conduzidas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Coronel Thomaz Pereira, em Linha Taquari Mirim, pela educadora Ana Paula Justen.

Os adolescentes que participaram do Programa de Aprendizagem Profissional Rural foram contratados como aprendizes e receberam remuneração e certificação de acordo com a Lei de Aprendizagem (Lei 10.097/2000 e Dec. 5598/2005). Em Venâncio Aires, as empresas Alliance One, China Brasil Tabacos, CTA-Continental e UTC envolveram-se no processo de contratação, cedendo cotas de aprendizagem. O projeto contou ainda com o apoio da Secretaria Municipal de Educação.

A oradora da turma, Maiara Rohloff, agradeceu a oportunidade e enfatizou que é preciso acreditar no valor que cada um tem. “Agradecemos por todas as conversas e incentivo para sempre darmos o nosso melhor. Obrigado por acreditarem em nosso potencial e contribuírem diretamente com nosso crescimento. Para nós, esta oportunidade mudou muito as nossas vidas e nossa rotina para melhor. Sonhos são possíveis de serem alcançados”, enfatizou.

Os jovens fizeram uma homenagem à educadora Ana Paula Justen que, por sua vez, falou sobre a experiência com a turma. “Foi uma busca constante pelo novo, pelo inovador, e a sensação que tenho é de que estou concluindo mais um título de pós-graduação, tamanho o conhecimento adquirido nesta caminhada”, avaliou a educadora, que também agradeceu aos jovens, famílias, parceiros e a comunidade. “Acreditem em suas potencialidades”, finalizou Ana, dirigindo-se aos jovens e desejando sucesso a todos.

O padrinho da turma, Benício Albano Werner, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), deixou a sua mensagem aos aprendizes rurais. “Talvez alguns de vocês não sigam na área rural, mas tenho certeza que levarão desta experiência grandes riquezas. Continuem querendo saber mais do que é apresentado em sala de aula, buscando alternativas e ampliando o conhecimento”, disse Werner que também é associado fundador e presidente do Conselho Fiscal do Instituto.

O secretário de Agricultura de Venâncio Aires, André Kaufmann, falou sobre a importância de trabalhar com a juventude do meio rural. “Eu venho de uma geração em que o estudo vinha em segundo plano. Em primeiro lugar a gente trabalhava, auxiliando os pais nos afazeres da propriedade. Parabéns por esse trabalho que vai além do campo, abordando temas que preocupam a sociedade como um todo”, parabenizou. “Nosso compromisso é trabalhar a gestão e o desenvolvimento rural e isso passa especialmente pelos jovens e vai auxiliar na evolução de nossas propriedades. A posição de liderança dos jovens tem feito a diferença. É um trabalho que deve continuar sendo feito e que pode contar com o nosso apoio”, reiterou.

O diretor presidente do Instituto Crescer Legal, Iro Schünke, avaliou o trabalho realizado até o momento. “Quando criamos o Instituto não esperávamos tantas emoções positivas e que este trabalho fosse precursor de futuros líderes. Novos empreendedores e líderes devem surgir deste trabalho, seja no meio rural, seja na área urbana, e acredito que estamos ajudando o Brasil a ser diferente, com líderes positivos”, disse Schünke.

JOVENS APRENDIZES CERTIFICADOS EM VENÂNCIO AIRES

Adilson de Souza Martins

Alessandra Taís de Brito

Anderson Luis Foltz Pereira

Beatriz Inês Rodrigues

Brenda da Luz da Rosa

Bruno Eduardo Grodt

Daniel de Oliveira da Rosa

Daniel Irineu da Fonseca

Daniel Nunes Cavalheiro

Douglas Silveira Lacerda

Fernando Hickmann

Kethleen Dienifer de Souza da Rosa

Lucas Leonardo Pereira

Maiara Danielle Rohloff

Micaela Fátima Reginatto

Paola da Silva da Luz

Rafael Henrique da Fonseca

Wesley Luis Gomes

SAIBA MAIS SOBRE O CURSO – Os jovens entre 14 e 18 anos foram selecionados entre as famílias de produtores rurais das localidades com o auxílio dos orientadores e instrutores das empresas associadas ao Instituto Crescer Legal. O curso teve duração de 13 meses, com 4 horas diárias de segunda a sexta-feira, totalizando 920 horas de atividades teóricas e práticas em gestão. Toda a carga horária foi cumprida na instituição parceira, junto à família, na comunidade, em visitas pedagógicas e técnicas. No programa das atividades estiveram o estudo e análise das propriedades rurais, diagnóstico do município e da região com estudos dos arranjos produtivos locais e mapeamento das parcerias locais e alianças estratégicas.

Os adolescentes também desenvolveram trabalhos em grupo envolvendo as famílias e a comunidade e concluíram a aprendizagem com estudos de viabilidade de desenvolvimento de produtos de gestão no meio rural. Ao todo, 48 jovens já foram certificados dentro do piloto que ainda tem duas turmas em andamento nos municípios de Vale do Sol e Santa Cruz do Sul. Em Santa Cruz do Sul, o curso funciona nas dependências da Escola Estadual de Ensino Fundamental Guilherme Simonis, em Linha Boa Vista. E em Vale do Sol, os encontros são na Escola Estadual de Ensino Médio Guilherme Fischer.

SOBRE O INSTITUTO CRESCER LEGAL – O Instituto Crescer Legal, nasceu de uma iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e suas empresas associadas, que tomou forma com o apoio e adesão de pessoas e entidades envolvidas com a educação e com o combate ao trabalho infantil, em especial em áreas com plantio de tabaco. Com o objetivo de oferecer subsídios para que jovens permaneçam e se desenvolvam no meio rural, através de oportunidades de geração de renda e do desenvolvimento das habilidades e potencialidades, respeitando a diferenciação de gênero, com possibilidades para meninos e meninas, o Instituto tem como essência acreditar na possibilidade de que questões culturais enraizadas podem ser modificadas, a exemplo do trabalho infantil. Afinal, é preciso repensar o presente na perspectiva de garantir um futuro melhor para crianças e adolescentes no campo.

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