“Há muito emprego e renda se perdendo”

Por Pedro Garcia (pedro.garcia@gazetadosul.com.br).

Santa Cruz do Sul/RS – Pouco mais de um ano após o susto causado pelo fechamento da fábrica de cigarros da Souza Cruz em Cachoeirinha, Liel Miranda assumiu a presidência da empresa líder no mercado brasileiro ciente de que a escalada do contrabando é o maior inimigo do setor. Natural do Mato Grosso do Sul, Miranda ingressou na Souza Cruz como trainee e acumula passagens por funções estratégicas na controladora British American Tobacco (BAT) na China, Canadá e Inglaterra. Sua chegada à presidência ocorre no momento em que o setor enfrenta uma nova investida da Anvisa, que quer reforçar as advertências nas embalagens. Miranda comentou as perspectivas para o setor em entrevista à Gazeta do Sul.

ENTREVISTA – Liel Miranda, presidente da Souza Cruz

Gazeta – Qual o principal desafio do setor fumageiro hoje no Brasil?
Miranda – O grande desafio é o contrabando de cigarros, que já tomou uma proporção totalmente fora de controle. Estamos falando de 45% do mercado. É um volume que está tirando a arrecadação do governo, está tirando empregos das pessoas envolvidas com a indústria, está tirando o sustento dos varejistas que dependem de venda de cigarro para manter o negócio deles funcionando e está tirando renda dos produtores de fumo aqui na região. Então, está afetando a cadeia produtiva inteira e, além disso, financiando o crime organizado. Esse é o problema da indústria no Brasil hoje.

Gazeta – E a Souza Cruz sentiu na pele esse problema, pois fechou a fábrica de cigarros de Cachoeirinha no ano passado.
Miranda – Aproximadamente 20% dos varejos que vendem cigarro no Brasil estão fechando. Além da crise econômica, estão sofrendo com esse fator adicional do contrabando. Há muito emprego e renda se perdendo. Nós fechamos a fábrica de Cachoeirinha e aqui na região há muitos investimentos que poderíamos fazer, mas o mercado não absorve. Então, é a economia que sofre.

Gazeta – Qual deve ser a postura das indústrias diante desse contexto?
Miranda – Já fazemos tudo o que podemos. Na prática, a capacidade de realmente resolver o problema está nas mãos do governo federal. A grande causa do contrabando é a diferença de preço entre o Brasil e os países vizinhos. No Brasil, 70% do valor do cigarro é imposto. No Paraguai, por exemplo, o imposto é de 8%. É claro que essa diferença é o que faz com que o contrabando exista. Por isso, a única entidade capaz de criar condições para que possamos competir com o contrabando é o governo federal, reduzindo o imposto ou não aumentando. Nos últimos três anos, sofremos aumentos sucessivos, muito acima da inflação. Um problema que já era grande virou gigantesco.

A entrevista completa pode ser conferida no Jornal Gazeta do Sul desta quinta-feira. Saiba mais em www.gaz.com.br.

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