Granizo atinge mais de 18 mil lavouras de tabaco na atual safra

Santa Cruz do Sul/RS – O setor de mutualidade da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) calcula que mais de 18 mil produtores de tabaco foram atingidos por incidências de granizo nos três estados do Sul na safra 2014/15. O montante já é superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 14,5 mil famílias tiveram prejuízos. O balanço causa apreensão na entidade porque se aproxima do índice do ciclo 2012/2013, quando foram comunicados 20 mil estragos até o final de novembro.

Conforme o tesoureiro da Afubra, Iraldo Backes, a preocupação é maior porque atualmente o tabaco está pronto na lavoura. “Estamos na fase mais crítica, já que as folhas estão completamente expostas e não há mais chance de recuperação. Caso haja uma granizada muito forte, vai sobrar muito pouco das áreas”, explica. Quando os pés estão na fase inicial de desenvolvimento, a planta apresenta poder de recuperação, mesmo após ser atingida por pedras de gelo.

Hoje, conforme balanço da associação, entre 25% e 30% do tabaco foi colhido no Sul do Brasil – mesma média observada no Vale do Rio Pardo. Com mais da metade da safra ainda por ser colhida, o clima é de apreensão, sobretudo pela imprevisibilidade das intempéries. Nos dias 17 e 19 de outubro, 9,5 mil fumicultores foram atingidos nos estados produtores, com danos especialmente no Rio Grande do Sul. “É a principal incidência deste ano e uma das maiores da história da Afubra.”

A chuva registrada na madrugada de ontem também causou perdas nas lavouras fumicultoras do Estado, de Santa Catarina e do Paraná, mas em menor escala. As equipes de campo saíram na tarde de ontem para iniciar as vistorias, mas Backes adianta que, de maneira geral, os prejuízos são pequenos. Até o final do dia, houve 89 comunicados provenientes da microrregião de Candelária; 36 da matriz Santa Cruz do Sul; 83 do Centro-Serra e dois dos arredores de Venâncio Aires.

RIO PARDO

Na localidade de Albardão, no interior de Rio Pardo, há pelo menos cinco anos o produtor José Milton Rocha não registrava avarias na lavoura em função do granizo. Por volta das 4 horas dessa terça-feira, quando a família acordou com o barulho das pedras no telhado, o agricultor teve certeza de que não escaparia mais uma safra. “Felizmente o estrago foi pequeno, não deve passar de uma folha por pé”, comentou. A granizada durou pelo menos dez minutos e atingiu também áreas vizinhas.

Na lavoura do cunhado Flávio dos Santos, que fica ao lado, os prejuízos já foram um pouco superiores. “A gente não entende essas coisas e nem tem como prever. O jeito é se prevenir e fazer o seguro. Quando acontecem os imprevistos, temos certeza que é um dinheiro bem aplicado”, diz Rocha, na experiência de seus 54 anos. Com as folhas baixeiras já colhidas, a família se recupera do susto para levar adiante o trabalho de colheita dos 35 mil pés plantados.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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