Governo brasileiro decide mudar o tom na COP 6

Moscou, Rússia – Uma clara mudança de postura, com a moderação no tom das manifestações e dos posicionamentos, tomou conta ontem das relações entre os representantes da cadeia produtiva presentes na COP 6, em Moscou, na Rússia, e a delegação oficial do governo brasileiro. Ao final das atividades do dia, o coordenador da delegação brasileira, Carlos Cuenca, do Ministério das Relações Exteriores, uma vez mais concedeu audiência às lideranças.

Os lideres regionais do Sul do Brasil mostraram-se aliviados, principalmente com o aceno de que o governo teria defendido a participação efetiva dos produtores nos encaminhamentos das questões relacionadas ao artigo 17, voltado à diversificação, e que deve ir à plenária amanhã já com proposta diretamente desenhada pelo Brasil.

As notícias foram sensivelmente mais positivas e animadoras do que as que marcaram os dois primeiros dias da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (COP 6), promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na ocasião, entre outros fatos, o público em geral e a imprensa foram impedidos de ter acesso às salas das plenárias.

REAÇÃO POLÍTICA

Entre os representantes da cadeia, a mudança de postura logo foi relacionada com a forte reação política liderada pelos deputados estaduais gaúchos que acompanham o grupo na Rússia, Marcelo Moraes (PTB), Adolfo Brito (PP) e Pedro Pereira (PSDB). O clamor repercutiu em Brasília e é provável que de lá tenha vindo algum indicativo pontual de moderação e de posicionamento mais enfático do Brasil.

Ontem, na audiência, Cuenca comunicou ao grupo que a delegação brasileira havia se posicionado contra a proposta vinda da Austrália de exclusão em definitivo do público em todas as edições futuras da COP. O Brasil teria defendido a ideia de que no ato do credenciamento seja solicitado o preenchimento de uma ficha mais detalhada com informações pessoais, permitindo que apenas os realmente implicados nos debates possam ter acesso.

Outro ponto que tranquilizou a comitiva setorial foi a confirmação, de parte de Carlos Cuenca, de que o Brasil teria liderado com sucesso a proposta da participação dos produtores de tabaco na implementação de medidas associadas aos artigos 17, que trata da diversificação nas lavouras, e 18, referente a aspectos ambientais e de segurança dos trabalhadores.

Romar Beling/enviado especial
romar@editoragazeta.com.br
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