Futuro do mercado de tabaco entra em debate

Texto: Pedro Garcia, Jornal Gazeta do Sul

Brasília/DF – A próxima quinta-feira será um dia decisivo para o futuro do mercado brasileiro de tabaco. Trata-se da audiência pública que será realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Brasília para discutir a possível liberação de novos produtos para os consumidores, como o cigarro eletrônico e os dispositivos de tabaco aquecido.

Embora já sejam consumidos em vários países, esses produtos – apontados por estudos de instituições e centros de pesquisa independentes como alternativas menos prejudiciais à saúde do que o cigarro tradicional – têm a comercialização proibida no Brasil desde 2009 por uma resolução da Anvisa. À época, o órgão alegou ausência de dados científicos que comprovassem a segurança dos novos dispositivos. As grandes companhias de tabaco do planeta, no entanto, vêm investindo pesado nesse segmento.

A realização de audiência pública é uma das etapas do processo regulatório da Anvisa, posterior à elaboração de diversos estudos técnicos a respeito do assunto. Aberta a qualquer interessado, a audiência deve contar com a participação tanto de organizações antitabagistas quanto de empresas e entidades ligadas ao setor de tabaco.

Entre os temas que devem nortear os debates estão as evidências de que os produtos são menos danosos do que os cigarros, seus riscos à saúde, se são úteis para eliminar o tabagismo, se são atrativos para crianças e adolescentes, se causam dependência e se podem funcionar como via de entrada para outras drogas. Uma segunda audiência sobre o assunto deve ser realizada no Rio de Janeiro, mas ainda não há data. Antes de a Anvisa posicionar-se em definitivo, ainda pode haver uma consulta pública.

Para a cadeia do tabaco, a expectativa é de que o órgão ceda e autorize a venda dos produtos. Segundo o presidente da Câmara Setorial do Tabaco, Romeu Schneider, manter a proibição só favorece o comércio ilegal de cigarros, que vem crescendo a passos largos nos últimos anos e já responde por mais da metade do mercado no país. “Nunca deixarão de existir fumantes. E enquanto houver consumidor haverá fornecedor. Então, é lógico que é preciso permitir que se coloque no mercado um produto legal e com risco reduzido para os consumidores. Esperamos que o bom-senso prevaleça”, disse, em entrevista à Rádio Gazeta.

ENTENDA

O que são os produtos?

Cigarro eletrônico – Não utiliza tabaco, apenas uma solução líquida de nicotina. Quando o usuário dá a tragada, a nicotina é aquecida, gerando um vapor.
Tabaco aquecido – Possui tabaco na composição. Diferente do cigarro tradicional, porém, o tabaco não é queimado, apenas aquecido a uma temperatura controlada, gerando um vapor.

Por que eles são mais seguros?

Tanto o cigarro eletrônico quanto o produto de tabaco aquecido dispensam a combustão em sua utilização. Estudos indicam que é justamente na queima do tabaco que a maior parte dos componentes tóxicos do cigarro é liberada. Ao eliminar esse processo, o prejuízo se tornaria bem menor, apesar dos danos diretamente associados à ingestão de nicotina. Sem a fumaça, o impacto sobre a qualidade do ar em locais fechados também é menor e o usuário deixa de ser um gerador de fumantes passivos.

Quais produtos já existem?

Philip Morris International (PMI) – Possui quatro plataformas de produtos de risco reduzido em diferentes estágios de desenvolvimento e comercialização, mas o carro-chefe é o IQOS, produto de tabaco aquecido que está presente em mais de 30 países e em todos os continentes.
British American Tobacco (BAT) – Uma das frentes envolve os cigarros eletrônicos, segmento no qual a empresa é líder mundial. O Vype, marca da BAT, é hoje número 1 no mercado do Reino Unido. Em outra frente, a empresa já comercializa o GLO, produto de tabaco aquecido, em países como Japão, Coreia do Sul, Suíça, Canadá e Rússia.
Japan Tobacco International (JTI) – A multinacional comercializa um produto de tabaco aquecido, o Ploom Tech, em países como Japão, Suíça, Estados Unidos e Canadá. Já o vaporizador Logic Pro é vendido em locais como França, Itália, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Alemanha, Rússia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Áustria.

Gazeta vai acompanhar

A Gazeta Grupo de Comunicações vai acompanhar in loco a audiência pública da Anvisa sobre cigarros eletrônicos na próxima quinta-feira, em Brasília. Além de boletins ao vivo para a Rádio Gazeta 107,9 FM e informações em tempo real pelo Portal Gaz, os detalhes do evento serão contados pela Gazeta do Sul. A viagem até Brasília será feita a convite da empresa Souza Cruz.

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