Festa à japonesa: JTI abre fábrica de cigarros de Santa Cruz

Santa Cruz do Sul/RS – Ao reproduzir um ritual oriental, mas que tem tudo a ver com a abertura da Oktoberfest, o vice-presidente da JTI, Mutsuo Iwai, quebrou um barril de saquê e ofereceu a bebida aos convidados. Na terra do chope, a inauguração da primeira fábrica de cigarros da companhia na América Latina trouxe a união da cultura da terra do sol nascente com a experiência de quem produz tabaco em Santa Cruz. Vestidos com quimonos orientais, diretores internacionais da companhia e autoridades locais inauguraram ontem a planta da JTI. A unidade vai produzir as marcas Camel e Winston para vender no mercado interno e abastecer os países vizinhos ao Brasil, assim como a marca LD, que será 100% destinada para exportação.

Brasil e Japão têm um relacionamento excelente. Em 2018, comemoramos os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, e com muito orgulho inauguramos esta fábrica em Santa Cruz”, disse Mutsuo Iwai, vice-presidente da Japan Tobacco (JT), empresa matriz do grupo JTI. De acordo com ele, a intenção da companhia é continuar investindo no município, pois encontrou em Santa Cruz um terreno fértil para dar sequência ao seu plano de crescimento. A empresa conta agora com 27 fábricas de cigarros espalhadas pelo mundo. “A JT continuará patrocinando o desenvolvimento desta região. Vamos ser bons inquilinos de Santa Cruz do Sul.”

Para o prefeito Telmo Kirst (PP), o presente pelos 140 anos de Santa Cruz chegou dois dias antes da data do aniversário, nesta sexta-feira. “Este momento é histórico. Estamos recebendo um presente extraordinário, que é uma fábrica de cigarros. Não há nada que se compare à cadeia produtiva do tabaco, que sempre gera emprego e renda”, avaliou. Segundo ele, o município passa a ser privilegiado, pois agora tem duas fábricas de cigarros. “Santa Cruz é a capital nacional do tabaco, nós somos o grande polo do setor, isto nos orgulha muito.”

A planta inaugurada nessa quarta está instalada em uma área de 10 mil metros quadrados, com capacidade para operar com quatro linhas de produção, e custou R$ 85 milhões para a JTI. A expectativa é de que, a partir de 2021, sejam produzidos 4 bilhões de cigarros por ano na unidade.

O que a Gazeta viu na JTI

A inauguração da fábrica da JTI contou com a presença de 200 convidados entre autoridades, jornalistas e executivos da Europa e Ásia. Duas tradutoras trabalharam na tradução simultânea do inglês para o português, e vice-versa. A recepção contou com um staff de 70 pessoas, sendo 15 garçons. A fábrica é toda climatizada, com controle de temperatura e umidade do ar, para evitar contaminação da matéria-prima necessária à composição do cigarro.

Na área do estoque foram investidos US$ 150 mil para a compra de um armário “inteligente”. O dispositivo armazena 5 mil produtos, como insumos e peças de reposição, em um pequeno espaço físico. Se ele não fosse utilizado, seria necessário um quarto do pavilhão para acomodar esses itens. Toda vez que alguém quer uma peça digita o código no computador e, em segundos, pode retirar o material em uma bandeja.

Em virtude do empenho dos funcionários que mantiveram a fábrica em funcionamento nessa quarta-feira, a JTI deu folga para a equipe hoje, para que participem de uma festa em comemoração à inauguração.

Camelo ou dromedário? A marca Camel é uma das mais famosas da JTI. No entanto, o bicho que a representa é um dromedário. E, para isso, existe uma explicação. O batismo da Camel ocorreu nos Estados Unidos, no início do século passado. A antiga proprietária da marca, a R.J. Reynolds, precisava de uma ação para divulgar seu produto e descobriu essa possibilidade em um circo que tinha um dromedário. No entanto, camelos e dromedários são diferentes. Os primeiros têm duas corcovas nas costas, enquanto os dromedários, uma. Desde então, o símbolo que ilustra a carteira é um dromedário, e não um camelo como o nome sugere. Na inauguração de ontem, o grafiteiro Pepe Fontanari usou a técnica de pintura em spray com sobreposição e tinta acrílica para colorir o símbolo da marca. O mascote ficará na fábrica de cigarros de Santa Cruz.

As máquinas instaladas na unidade de Santa Cruz não são zero-quilômetro. Elas vieram de fábricas da Europa e passaram por uma criteriosa manutenção no Brasil. Um dos equipamentos utilizados no embalamento veio do Japão, com 17 anos de uso. A racionalidade do uso dos recursos, tradicional da cultura oriental, ilustra o aproveitamento de equipamentos no Brasil.

Um casamento entre a prática e a sabedoria

Conforme o diretor de assuntos corporativos e comunicação da JTI, Flávio Goulart, a instalação da fábrica de cigarros de Santa Cruz sela o “casamento” entre a JTI e o município. A sabedoria oriental se alia à expertise do município, que ostenta o título de capital nacional do tabaco. “Eu acho que, além do jeito JTI, aqui nós temos o jeito brasileiro de fazer as coisas. A cultura local da produção do tabaco se associa às técnicas desenvolvidas pela companhia e cria um novo método, que também colabora com a produção mundial. Nós temos o jeito brasileiro JTI de produzir.”

Segundo Goulart, a intenção é acrescentar volume de produção para a fábrica de Santa Cruz. E um dos caminhos para isso pode ser traçado a partir da viabilidade de exportação do cigarro produzido no município aos países da América Latina. “A exportação está ligada a uma série de questões governamentais e nos acordos com outros países. E todas essas são oportunidades mapeadas, para atrairmos mais investimento e desenvolvimento em Santa Cruz”, reforçou.

A ampliação da capacidade fabril está associada ao consumo e ao crescimento das marcas JTI. A planta instalada em Santa Cruz tem espaço para a implementação de mais linhas produtoras de cigarros, que darão oportunidade a novas contratações. Até o fim deste ano, a empresa deve fechar o quadro de funcionários com cem contratados na unidade recém-inaugurada.

Segundo o diretor-geral de operações, Timur Mutaev, responsável pelo projeto da fábrica no município, a planta pode ser ampliada a qualquer momento. “Estamos aqui não apenas para comemorar, investir e dar esse implemento ao mercado brasileiro. Queremos dar início às exportações para a América Latina e, com isso, oferecer solidez econômica à manufatura do tabaco do Brasil”, salientou. Mutaev veio da JTI da Rússia para comandar o processo de instalação da unidade santa-cruzense.

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