Fábrica seria filial de empresa paraguaia

Texto: Paola Severo (paola.severo@gaz.com.br)

Cachoeira do Sul/RS – A fábrica clandestina que falsificava cigarros do Paraguai na zona rural de Cachoeira do Sul seria, na verdade, a filial de uma empresa do país vizinho. Tudo à margem da lei e, por consequência, da elevada tributação que recai sobre o setor, fazendo com que o produto pirata chegasse ao mercado custando metade do preço do cigarro verdadeiramente nacional e livre até do custo logístico e do risco do contrabando.

Essa é a principal linha da investigação sobre a fábrica clandestina que foi descoberta sem querer pela Polícia Civil de Cachoeira há exatamente uma semana, enquanto agentes investigavam um suposto assalto a uma fazenda da localidade de Piquiri, distante quase 40 quilômetros da BR-290. Trabalham no caso policiais civis de Cachoeira e policiais federais e auditores da Receita Federal de Santa Cruz do Sul.

Em entrevista à Rádio Gazeta, o delegado-adjunto da Receita Federal em Santa Cruz, Vilson Müller, disse ontem que foram apreendidos no local registros do funcionamento da operação, como cadernos de contabilidade e muitas anotações em espanhol. “Tudo isso estamos verificando. Apreendemos vários elementos de provas. O controle inicia em 2016, mas não temos certeza se o registro do ano passado já dizia respeito àquele local. Antes eles poderiam estar atuando em outra sede. E é possível que ainda haja outra fábrica”, admite.

Segundo o delegado-adjunto, o grande desafio agora é identificar os proprietários do negócio ilegal. “Uma fábrica clandestina não é uma estrutura simples. É necessário montar toda uma linha de produção que envolve sete ou oito tipos de equipamentos diferentes”, explica Müller.

Cada máquina tem uma função específica durante a montagem dos cigarros e os insumos, como cola, filtros, caixas e embalagens, são próprios da indústria cigarreira. Todos esses materiais foram adquiridos de forma clandestina, assim como era a comercialização do produto final. “Isso mostra que o grupo que atuava na região é uma organização com tentáculos, em várias frentes e com vários lugares, para montar uma operação assim.” A Polícia Federal suspeita que até mesmo as cerca de 20 pessoas que trabalhavam no local eram paraguaias.

De acordo com o delegado-adjunto da Receita Federal em Santa Cruz, a investigação já chegou a alguns nomes, ainda mantidos em sigilo. Nenhum deles, no entanto, seria um dos cabeças da provável organização internacional. “Vamos, junto com a Polícia Federal e a Polícia Civil, montar as peças”, avisa o auditor.

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