EXPEDIÇÃO: Trabalho no campo, resultados na cidade

Em ano de safra ruim, posto de Zeitz sente os efeitos

Em ano de safra ruim, posto de Zeitz sente os efeitos

Vidal Ramos – O município de Vidal Ramos (SC), no Vale do Itajaí, tem pouco menos de 7 mil habitantes. Destes, quase mil plantam tabaco. Isso faz com que a pequena cidade figure entre os 10 maiores produtores do Estado, com uma produção que, na safra passada, chegou a 4,9 mil toneladas.

O impacto da cultura, porém, vai além do campo. Embora o município também tenha uma produção expressiva de cebola e conte com uma unidade fabril da Votorantim, é em torno do fumo que a economia gira. No comércio e no setor de serviços, os fumicultores são os principais clientes. Com isso, uma safra boa gera um efeito em cadeia junto aos lojistas e empresários. Já quando a safra é ruim, todos sofrem junto.

Foi o que aconteceu no ano passado, quando o excesso de chuvas levou a uma quebra de safra. O sintoma foi sentido em um posto de combustíveis do Centro, onde o movimento caiu, segundo estima o proprietário Flávio Zeitz, entre 30% e 40%. Além disso, conforme ele, em situações como essa a inadimplência dispara. “A maior parte do nosso movimento vem da fumicultura. O agricultor consome muito diesel para as máquinas e tratores. Além disseo, tem o período de transporte de produto e, na entressafra, eles viajam mais”, conta.

Pering: "Dependemos 100% do fumo"

Pering: “Dependemos 100% do fumo”

Nos mercados, não é diferente. Nesses locais, é comum produtores fazerem compras grandes, como forma de abastecer as propriedades durante toda a safra, e pagar apenas após a comercalização. “Nós dependemos 100% do fumo. Só os funcionários do comércio e da Prefeitura não segurariam a nossa estrutura. Teríamos que passar uma divisóra e reduzir o mercado pela metade”, brinca o dono de um estabelecimento, Damian Pering.

O empresário garante que a qualidade e a produtividade das safras é determinante para o desempenho do negócio. Isso se nota, segundo ele, pelo volume de compras “supérfluas” e pela inadimplência. “Quando a safra ruim, começa a voltar cheque e o movimento despenca”, conta.

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