EXPEDIÇÃO: Qualidade de vida que se colhe na lavoura

Família de Dona Nelci mudou de vida após começar a plantar fumo

Família de Dona Nelci mudou de vida após começar a plantar fumo

Irati – Um dos aspectos que mais vem chamando a nossa atenção durante a peregrinação por localidades do interior onde há predominância da produção fumageira é a qualidade de vida. Do sul do Rio Grande do Sul ao centro-sul do Paraná, por onde perambulamos desde domingo, é impressionante o bom nível das construções e o conforto de que os agricultores parecem dispor.

Um dos exemplos mais marcantes foi nesta quinta-feira, no início da tarde, quando conhecemos a propriedade de dona Nelci Woichik, em Linha B, no município de Irati (PR). A casa é ampla – são 10 peças, divididas com o filho, a nora e a netinha -, carro e motocicleta na garagem, antena parabólica, internet, gramado e jardim caprichados. A origem de tudo isso, segundo ela mesmo nos constou, está a alguns passos do portão da residência: a lavoura de fumo.

Ela e o marido Ademar cultivam tabaco há 30 anos. Antes disso, se dedicavam a outras culturas, como feijão, milho e cebola. A renda, porém, só cobria as despesas. Em um ano de violenta quebra de safra, foram obrigados a vender parte das terras que tinham e até um trator para pagar dívidas. Foi quando decidiram migrar para o fumo e aí as coisas começaram a melhorar. “Se você viesse aqui na localidade há 30 anos, nem reconheceria. Era só casinha velha, ninguém tinha trator e puxávamos o fumo a cavalo”, relata.

A família chegou a experimentar outras produtos ao longo dos anos, como cogumelos e moranguinho, mas não deu certo pelo fato de não possuirem grandes extensões de terra e pela dificuldade de vender. Foi com o fumo que descobriram o que é ter uma sobra de dinheiro ao fim do ano e, com isso, investir nas próprias vidas. Assim, construíram a casa (eles mesmos, sem ajuda de pedreiros) e foram adquirindo coisas para garantir o próprio conforto.

Aos 54 anos, dona Nelci garante estar satisfeita com as próprias conquistas. “Do fumo não temos queixa alguma. É sofrido, os três meses de colheita não são fáceis. Mas quem tem fumo de qualidade, consegue vender bem e aí sobra. Tudo o que temos é graças ao fumo”, diz.

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