EXPEDIÇÃO: No Sul, estiagem abala a safra

A região da Costa Doce, no Sul gaúcho, abrange alguns dos principais municípios produtores de tabaco do Brasil. Apenas em Canguçu, atual líder, são mais de 5,4 mil propriedades. Na lista dos 10 maiores produtores, aparecem ainda São Lourenço do Sul (em terceiro lugar, com 3,7 mil famílias) e Camaquã (em nono, com 2,3 mil).

A Costa Doce foi a primeira parada de nossa expedição. As expectativas por lá, porém, não são as melhores para a safra 2017/2018. Com 60% do tabaco já colhido, a Zona Sul acumula prejuízos por conta da falta de chuvas entre dezembro e janeiro. A estimativa é de uma produção cerca de 30% menor.

Basta percorrer algumas lavouras para se perceber os efeitos da estiagem, que se reflete na espessura e coloração das folhas. “O que se produziu a mais no ano passado, vai se produzir a menos esse ano”, conta Valdir Mundstock, inspetor da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Em Canguçu, por exemplo, foram registrados 48 milímetros de chuva em janeiro, ante 97 milímetros em 2017. Com isso, propriedades que no ano passado registraram uma produtividade de até 4,1 mil quilos por hectare, dessa vez devem contabilizar entre 2 mil e 2,5 mil quilos.

A safra passada, aliás, foi uma das melhores dos últimos anos na região, tanto que em dezembro ainda estavam sendo comercializadas as sobras, que chegaram a 500 toneladas. Para completar, chuvas registradas no último fim de semana foram acompanhadas de granizo e vento forte em algumas localidades. Cerca de 140 produtores tiveram estragos.

Por outro lado, onde não teve granizo ou vento, a chuva ajudou a aliviar um pouco os problemas causados pela seca. É o caso da propriedade de Seu Sigmar Rutz, em Santa Augusta, no interior de São Lourenço. Seu Sigmar tem 60 mil pés plantados em cinco hectares e sentiu na pele a falta de chuvas, justamente no momento em que a planta mais precisa, em seu último ciclo de crescimento – na Região Sul, o plantio começa em setembro e a colheita, entre novembro e dezembro.

Se no ano passado ele conseguiu tirar 7 mil quilos da lavoura, esse ano, mesmo com uma produção maior, estima que vai produzir cerca de 5 mil quilos – o que deve representar, em valor, em torno de R$ 15 mil a menos. “É como os antigos dizem: quando chove em outubro, pode saber que não chove em janeiro”, observa.

Texto: Pedro Garcia – Foto: Bruno Pedry

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