EXPEDIÇÃO: Litoral de SC também enfrentou o clima

Não foi só o Sul gaúcho que sofreu com o clima nesta safra. No litoral de Santa Catarina, próximo à divisa com o Rio Grande do Sul, onde ficam importantes municípios produtores de tabaco, como Araranguá e Içara, o ciclo foi marcado por uma sequência de intempéries que deve resultar em uma quebra de cerca de 20%.

Naquela região, onde se encontra nossa expedição nesta sexta-feira, a safra começa bem mais cedo. O plantio tem seu período mais intenso entre maio e junho, mas alguns iniciam já em março. Já a colheita estava toda concluída por volta de 10 de novembro. Antes disso, porém, os produtores enfrentaram chuva forte (em setembro), seguida de 40 dias de seca e, em meio a isso, três ocorrências de geada.

Segundo o inspetor da Afubra, Dilso Ceron, isso afetou a qualidade das plantas. “Tinha muito fumo preto”, relatou. Ao todo, são cerca de 3,5 mil famílias nos 19 municípios da região onde há plantação de fumo. A produtividade também caiu: produtores que no ciclo passado obtinham 2,7 mil quilos por hectare, dessa vez conseguiram 1,6 mil.

Na propriedade de Leandro Pereira Matos, em Lagoa Mãe Luzia, no interior de Araranguá, a perda é calculada em cerca de 10%. O que evitou um tombo maior foi a fertirrigação, mantida na propriedade há cinco anos. Seu Leandro nos contou que, em um primeiro momento, implantou o sistema em apenas um dos cinco hectares que mantinha. A diferença foi tão notável que ele foi ampliando e hoje tem 100% da lavoura fertirrigada.

Com isso, inclusive, ele pôde reduzir a área plantada para três hectares, porém com a mesma renda de antes. “O negócio não é aumentar o plantio, mas sim a produtividade. Antes eu conseguia 2 mil quilos por hectare, agora consigo 2,8 mil ou 3 mil. A seca esse ano não me atrapalhou, o que atrapalhou foi a geada”, disse. Para garantir renda o ano inteiro, Seu Leandro ainda mantém um parreiral de meio hectare de maracujá – cultura que é forte naquela região.

Texto: Pedro Garcia – Foto: Bruno Pedry

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