Estudo avalia impacto do mercado ilícito para setores industriais

São Paulo/SP – Com o objetivo de analisar os efeitos nocivos da criminalidade sobre a indústria e o real impacto dos mercados ilícitos na renda, empregos, impostos e competitividade das empresas, o Departamento de Segurança da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) desenvolveu o Anuário 2016: Mercados Ilícitos Transnacionais em São Paulo. A análise considera nove setores da indústria paulista – alimentos, automóveis, brinquedos, eletrônicos, higiene e perfumaria, medicamentos, químicos, tabaco e vestuário.

Somente em 2015, o mercado ilegal movimentou R$ 13,2 bilhões. Com isso, deixaram de ser gerados 111.598 empregos formais e R$ 3,02 bilhões em renda (salários e lucro). A perda do governo federal em arrecadação chegou a R$ 2,81 bilhões, o suficiente para custear 1.522 escolas de ensino básico, 1.232 hospitais ou montar uma nova corporação para a Polícia Rodoviária, do mesmo tamanho da atual.

O tabaco aparece como o primeiro no ranking, tanto no valor total de mercado ilícito, quanto na taxa de transnacionalidade. “A evolução do mercado ilícito é preocupante e põe em cheque a geração de empregos formais e de renda. O que vemos em São Paulo acontece também em outros Estados brasileiros”, ressalta o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.

VALOR DO MERCADO ILÍCITO
Os dados revelam como a alta lucratividade dos mercados ilícitos afetam diretamente a indústria paulista e nacional, por meio da subtração direta de recursos, inibição da expansão e empreendedorismo, e redução da competitividade.

Tabaco: R$ 4,25 bilhões
Automotivo: R$ 3,49 bilhões
Higiene: R$ 1,5 bilhão
Eletrônicos: R$ 1,47 bilhão
Químicos: R$ 1,43 bilhão
Vestuário: R$ 616,05 milhões
Brinquedos: R$ 258,5 milhões
Alimentos: R$ 127,52 milhões
Medicamentos: R$ 104,45 milhões

TAXA DE TRANSNACIONALIDADE
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mercados ilícitos transnacionais são caracterizados pela oferta compartilhada, em escala regional ou internacional, de drogas, armas, produtos roubados, furtados, contrabandeados, de contrafação ou pirateados, que atentem a demanda interna ou externa do País destinatário, formando uma economia criminal transnacional.

A taxa de transnacionalidade mede a proporção de ilícitos transnacionais em relação ao total de ilícitos, ou seja, a proporção estimada de contrabando e descaminho em relação ao total dos produtos ilícitos (contrabando, descaminho, roubo e furto). Desta forma, encontramos a participação dos produtos ilícitos produzidos fora do país na composição deste segmento ilícito local.

Tabaco: 99,45%
Vestuário: 86,4%
Eletrônicos: 82,06%
Alimentos: 63,88%
Medicamentos: 50,67%
Automotivo: 14,85%
Higiene: 6%
Químicos: 0,62%
Brinquedos: –

Para o presidente da FIESP, Paulo Skaf, além de todas essas dificuldades, a pressão constante do governo pelo aumento de impostos é uma solução ilusória, já que os produtos com altas cargas tributárias estão entre aqueles que mais sofrem a concorrência desleal dos produtos ilícitos, decorrente de roubos e contrabando. “Se houvesse de fato um combate efetivo à criminalidade, os governos não precisariam pensar em criar ou aumentar impostos como fonte de arrecadação”, avalia.

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