Estratégia para crescer

Caderno Produtor de Tabaco, Jornal Gazeta do Sul, edição Dejair Machado

Santa Cruz do Sul/RS – Há muito a produção de tabaco passou a ser vista de forma mais estratégica. Seja a partir de incentivo das empresas, entidades representativas ou a partir da iniciativa dos agricultores, o modo de plantar e colher evoluiu e contribuiu para que o Brasil se tornasse uma referência em qualidade e produtividade.

As mais significativas mudanças foram percebidas especialmente nas últimas três décadas. A partir da chegada de tecnologias e de pesquisas, os produtores de um modo geral passaram a entender que os investimentos na propriedade poderiam sim se reverter em receita e qualidade de vida. Diante desta percepção, não foram poucas as famílias que se organizaram para investir nas novidades para o campo.

Entre os que pensaram desta forma está o produtor Hélio Sehn, 60 anos. Morador de Vila Arlindo, no interior de Venâncio Aires, ele começou a cultivar suas próprias lavouras logo após o casamento com Glaci, há 36 anos. Até então, se dedicava à atividade como auxiliar dos seus pais, que também já mantinham lavouras de tabaco.

Ciente de que poderia fazer mais e melhor e assim assegurar receita para a família, Hélio Sehn contrariou as lógicas. “Quando decidi construir o primeiro forno, lembro que meu pai achou que não era necessário, pois o que tinha nas terras dele era suficiente. Mas eu precisava investir para crescer”, recorda.

A decisão do então jovem produtor foi certeira. Ao lado da esposa, ele não mediu esforços para tocar a propriedade. No começo sua lavoura tinha em torno de 30 mil pés de tabaco. “Mas fomos melhorando e conseguimos ampliar”, completa Glaci. Hoje, o casal e o filho Cristiano mantém uma plantação com 120 mil mudas e ocupam uma área de oito hectares. “Trabalhamos juntos e só no período de colheita é que precisamos contratar mão de obra extra”, acrescenta.

Na propriedade da família Sehn, o cultivo de tabaco é muito valorizado e reconhecido. Foi graças à planta que eles conseguiram prosperar, adquirir implementos agrícolas, novas terras, construir a casa e ainda diversificar. Há três anos eles investiram em fornos elétricos para a cura da produção, o que também representou um marco para a família. “O tabaco se desenvolve e dá bem em áreas menores. Hoje seria difícil encontrar outra cultura tão rentável”, observa Glaci enquanto serve um chimarrão.

E para seguir crescendo, o casal e o filho já tem planos. Para a próxima safra, eles pretendem adquirir uma máquina para realizar a colheita da produção, o promete dar mais comodidade ao trabalho. “É assim, tem que pensar no futuro”, diz Hélio.

Compromisso compartilhado

Além do tabaco, Hélio e a família decidiram investir na piscicultura. A atividade começou de forma discreta com a implantação de três açudes nos quais havia criação de peixes para abate e comercialização nos arredores. “Os vizinhos sempre perguntavam se eu não estava disposto a comercializar os alevinos. Foi aí que decidi mudar”, conta o pai.

Desde 2000, a família passou a atuar na recria dos alevinos e posterior comercialização. A atividade deu tão certo que exigiu investimentos. De três, o número de açudes saltou para seis e hoje são 14 que ocupam uma área com cerca de 4 hectares. Por ano são produzidas pelo menos 100 mil unidades entre carpas, jundiás e tilápias, que abastecem o mercado de Venâncio, Santa Cruz, Vera Cruz e outras cidades da região.

Com a expansão da alevinagem, foi necessário rever as estratégias. Assim, as lavouras de tabaco ficaram sob o comando de Glaci e Cristiano, enquanto Hélio se encarrega dos peixes e das demais tarefas da propriedade, que inclui ainda o processo de secagem das folhas. “Tudo tem que ser muito planejado, mas dá para fazer”, ensina.

Para a frente

Da mesma forma que Hélio e Glaci seguiram os passos dos pais com a fumicultura, Cristiano também decidiu seguir na atividade. Aos 33 anos, ele faz parte de uma nova safra de produtores. Está atento ao que acontece na propriedade, sabe que planejar é fundamental e mantém um olhar atento para questões relacionadas à economia. Afinal, em um cenário globalizado, qualquer comportamento anormal pode provocar impactos na lavoura.

“A tendência é dar continuidade ao que meus pais vinham fazendo e melhorar cada vez mais. Para isso, investir e acompanhar as tecnologias é muito importante”, salienta. E é isso que justificou a decisão de investir no sistema de colheita mecanizada para as safras seguintes.

Casado com Viviane, que cuida da agropecuária da família, o pai de Renan, nem cogita trocar de ramo. “Sempre vi que no interior temos boas opções de trabalho e renda. Não vou dizer que é fácil, mas é possível sim”, afirma com orgulho.

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