Egressas do Instituto falam sobre valorização da mulher do campo em programas de rádio

Santa Cruz do Sul/RS – Treze gurias de Vera Cruz e Candelária (RS) estão dando o que falar. Elas são as donas da voz do projeto Nós por Elas – A voz feminina do campo, realizado em parceria com os cursos de Comunicação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e que tem o objetivo de valorizar e desenvolver jovens egressas do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, do Instituto Crescer Legal, capacitando-as na área de comunicação. Nessa sexta-feira, 15 de dezembro, receberam certificados pela conclusão do projeto, em Santa Cruz do Sul.

Iniciado em setembro, as jovens com idades entre 16 e 19 anos se reuniram três vezes por semana na parte da tarde em um espaço cedido pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Vera Cruz, parceiro do projeto. Nos outros dias realizaram pesquisas e entrevistas em suas comunidades. O material foi compilado e transformado em programas de rádio e conteúdo para a internet.  As oficinas foram coordenadas pela educadora social Cristiana Rehbein, do Instituto Crescer Legal, e contaram com a orientação do professor Leonel Aires, do Curso de Comunicação Social da Unisc. As participantes também receberam bolsa de estudos do Instituto Crescer Legal.

Segundo Aires, a experiência foi muito desafiadora. “Foi pouco tempo para inseri-las no universo da comunicação e em especial do rádio. Elas vinham de realidades muito diferentes e estavam em estágios distintos no que diz respeito à escola. Mesmo assim foi maravilhoso. Todas, de imediato, revelaram uma grande vontade de aprender e se apropriaram dos conceitos e das técnicas necessárias para produzir programas de rádio com qualidade. O envolvimento das meninas com a oficina e a maturidade para tratar de temas tão importantes garantiu que os resultados alcançados, na minha avaliação, superassem as expectativas. Penso que a experiência permitiu que elas olhassem para suas comunidades e para a realidade do meio rural de uma outra maneira. Hoje elas têm mais consciência do seu papel como mulheres, mulheres do meio rural e que possuem condições para transformar o seu meio e evoluir como cidadãs”, avalia.

A educadora Cristiana destaca o engajamento das jovens na elaboração dos programas, e a evolução na capacidade de autoria, autonomia, comunicação e expressão. “Muito além da produção de materiais, as meninas passaram a ver e compreender o mundo de outra forma, questionando a realidade tida como ‘natural’, em especial em relação à condição de gênero no meio rural. Hoje, sentem-se diferentes em relação a si mesmas, mais ‘donas de si’, reconhecendo seus potenciais e capacidades”, avalia. Cristiana acredita que elas serão multiplicadoras do conhecimento adquirido, seja em seus relacionamentos afetivos e familiares, mas também disseminando essa construção por meio dos programas de rádio, atingindo a comunidade local e, em especial, a outros jovens do meio rural.

Os programas começaram a ser gravados em novembro, no laboratório de Rádio da Unisc e abordam temas voltados à valorização da mulher e questões inerentes ao meio rural.  Ao todo, seis programas de dez minutos cada abordaram diferentes temáticas. O material está disponível no site do Instituto Crescer Legal e está sendo divulgado em programas de rádio de parceiros da entidade, como Sindicatos e Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Além disso, pílulas de 3 minutos de cada programa serão divulgadas entre janeiro e março pela Radioweb, agência de notícias para rádios que conta com mais de 2 mil rádios associadas e tem presença em 1,3 mil municípios brasileiros, por meio de parceria com o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco).

Para o diretor-presidente do Instituto Crescer Legal, Iro Schünke, o projeto superou as expectativas da entidade. “A facilidade de expressão e o aprofundamento dos temas abordados e que demonstram a realidade das comunidades nos chamaram a atenção. Fica claro que quando oferecemos uma oportunidade para os jovens, o céu é o limite. Eles sempre nos surpreendem”, comentou.

Segundo Maira Carolina Petry, egressa de Vera Cruz, o nome “Nós por Elas” foi escolhido por representar a luta pela igualdade de gênero, contando inclusive com os homens para isso. “A busca pela igualdade é de todos, inclusive deles”, ressalta. “A partir da pesquisa e da troca de informações com a comunidade e com entidades parceiras, conseguimos entender melhor temas complexos como a questão do trabalho infantil. Fomos além do que imaginávamos e o projeto terminou, mas provavelmente seguirá repercutindo dentro de nossa comunidade a partir da divulgação dos programas e também da mudança de atitude das participantes”, destaca.

Para Beatriz Eveline Bugs, egressa de Candelária, avalia que os temas parecem simples e muitas vezes nem são percebidos. “As mulheres muitas vezes sofrem e isso está muito próximo de nós. Não queremos ser mais que os homens, queremos igualdade”, comenta, dando como exemplo as tarefas tidas como femininas como lavar e passar. “Tudo foi muito novo, eu nunca tinha entrado em um estúdio de rádio e ouvir a própria voz foi algo diferente, mas foi muito gratificante. Fico muito feliz em poder dizer que sou do Instituto Crescer Legal, me trouxe muito aprendizado”, diz sobre a experiência no projeto.

Ouça os programas completos do Nós por Elas em www.crescerlegal.com.br/boletins.

PARTICIPANTES

Aline Adriane Scherer

Aline Schroeder

Andressa Isabele Tornquist

Anelise Tornquist

Beatriz Eveline Bugs

Edilaine Scherer

Grazieli Estefani Oliveira da Silva

Jaqueline Mantz

Maira Carolina Petry

Maira Luiza Bugs

Tauany Lyciane Faber

Vanessa Ferreira Beise

Vanusa Tatiane da Silveira

SAIBA MAIS – O Instituto Crescer Legal foi fundado em 23 de abril de 2015. Já em 2016, implementou o Programa de Aprendizagem Profissional Rural, oferecendo a jovens rurais o curso de Empreendedorismo em Agricultura Polivalente – Gestão Rural. As atividades culminaram com a certificação de 84 jovens de cinco municípios gaúchos em 2017. Pioneiro, o programa segue os preceitos da Lei da Aprendizagem, oferecendo aos jovens salário proporcional a 20 horas semanais, além de certificação e demais direitos (Lei 10.097/2000 e Dec. 5598/2005). Os jovens são contratados pelas empresas associadas ao Instituto, mas as atividades são todas realizadas na escola parceira, durante o contraturno, em suas propriedades, comunidades e em saídas de estudo. Para 2018 outras setes turmas estão previstas.

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