E VAMOS DE NOVO: VEM AÍ A SAFRA 2015/16

Mudas que darão origem às lavouras da nova safra já começam a ser preparadas no Sul do Brasil (foto: Inor Assmann/Editora Gazeta)

Mudas que darão origem às lavouras da nova safra já começam a ser preparadas no Sul do Brasil (foto: Inor Assmann/Editora Gazeta)

Santa Cruz do Sul/RS – É um ciclo sem fim. A maioria dos produtores de tabaco do Sul do Brasil sequer comercializou o produto colhido na safra 2014/15, ainda diretamente envolvida nas chamadas tarefas de galpão (seleção das folhas por classe, elaboração das manocas, enfardamento), e outro grupo já deu início ao preparo dos canteiros e à semeadura visando a produção das mudas do novo plantio. A diversidade de climas e altitudes, com interferência direta sobre o ritmo de desenvolvimento e sobre o ciclo geral da cultura, faz com que essa lavoura, espalhada por cerca de 650 municípios, tenha enorme disparidade entre as épocas normais de realização de cada etapa.

Conforme o assessor técnico do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Darci José da Silva, em várias localidades, especialmente das regiões mais baixas do Vale do Rio Pardo, já fizeram a semeadura, mesmo que se tenha praticamente todo o inverno pela frente. Ao contrário de décadas anteriores, quando os canteiros convencionais eram preparados a céu aberto, cobertos com tecidos, nos dias atuais o sistema float, que emprega bandejas acomodadas sobre uma fina lâmina de água, domina de forma integral. “Nesse caso, a formação de um túnel, com cobertura plástica, permite a criação de microclima que protege as mudinhas contra frio intenso e favorece o seu bom desenvolvimento”, lembra.

Apesar de toda a área baixa dos Vales gaúchos já estar começando a se movimentar para a semeadura, Darci lembra que a mais precoce de todas as regiões de tabaco é a do litoral de Santa Catarina, nos arredores de Araranguá. “Esses costumam estar muito adiantados”, comenta, fazendo o transplante ainda em junho.

SEM METER OS PÉS PELAS MÃOS

No caso do Vale do Rio Pardo, nas imediações de Santa Cruz do Sul, o grande polo industrial do setor, o plantio ideal é a partir de julho. Independente de região, o ciclo da cultura é praticamente o mesmo, pois o tabaco requer efetivamente de 200 a 210 dias entre a semeadura e o final da colheita. “Alguns raros cultivos precoces, de variedades com ciclo muito curto, conseguem fechar em 190 dias”, frisa Darci José da Silva. Mas a regra é a dos sete meses, uma vez que estão envolvidas variáveis como a disponibilidade de mão de obra, o clima de cada safra, o amadurecimento apropriado das folhas e o tempo da cura nas estufas.

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Excesso de frio ou geada forte quando as mudas já estão na lavoura pode comprometer a qualidade da safra (foto: Inor Assmann/Editora Gazeta)

CUIDADO REDOBRADO

De acordo com Darci, no caso dos mais apressados, que começam a fazer bem cedo a semeadura, e nas regiões que costumam registrar frio bastante intenso no inverno, os cuidados com os canteiros precisam ser redobrados. “A gente aconselha que sempre se cubra bem com o plástico já mais cedo ao final do dia, ao menos enquanto as mudas não chegaram a seis folhas”, refere. “Durante o dia, com sol, deve-se erguer a cobertura para deixar arejar e facilitar o desenvolvimento, mas ali pelo meio da tarde já dá para fechar, mantendo calor para a noite”. O frio pode crestar as mudas e, se isso acontecer, em alguns casos é necessário até mesmo começar tudo de novo, fazendo nova semeadura, o que atrasaria de forma perigosa todo o ciclo. Ou seja, a pressa em semear poderia mais atrapalhar do que ajudar o produtor.

E inclusive o transplante deve ser planejado de olho atento ao clima, não antecipando demais a etapa, conforme cada região: excesso de frio ou geada forte quando as mudas já estão na lavoura pode levar a planta a, com o choque térmico, jogar a inflorescência muito cedo, com número menor de folhas emergidas. Assim, a produtividade e até a qualidade ficariam irremediavelmente comprometidas. “Não se quer nada disso. É preciso saber explorar devidamente o potencial da lavoura”, refere o especialista.

Em outras palavras, agilidade no encaminhamento da safra seguinte pode parecer uma boa medida, mas também é preciso aprender a não meter os pés pelas mãos e comprometer o resultado já nos primeiros passos. Cada coisa no seu devido lugar: há muitos meses e muito trabalho pela frente.

Romar Beling
romar@editoragazeta.com.br
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